De acordo com informações avançadas no relatório anual que descreve "a situação do país em matéria de drogas e toxicodependência 2014", do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD), em 2013 foram registadas 184 mortes associadas ao consumo de drogas. Deste número, 12% morreu por overdose, (uma diminuição de 24% relativamente a 2012) com presença, essencialmente, de opiáceos (46%), cocaína (36%) e metadona (27%). Em mais de 90% das overdoses registadas, verificou-se a presença de mais do que uma substância, com especial destaque para uma combinação entre drogas ilícitas e álcool e benzodiazepinas (um conjunto de fármacos ansiolíticos, usados como sedativos, hipnóticos e relaxantes musculares).

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Em paralelo, registou-se ainda um preocupante aumento da presença de drogas sintéticas, uma tendência que tem vindo a emergir nos últimos tempos.

Relativamente à taxa de mortalidade associada ao VIH/Sida, segundo o Instituto Nacional de Saúde, foram registadas 101 mortes ligadas a situações de toxicodependência, sendo que 69 destes casos tinham já sido diagnosticados com a doença.

Aparecimento de novas drogas

De acordo com o mesmo relatório, se em 2013 surgiram no Sistema de Alerta Rápido da União Europeia, pela primeira vez, 81 novas drogas, em 2014 foram notificadas mais de cem, fazendo com que o número de novas substâncias que devem ser vigiadas pela EMCDDA (Agência Europeia de Informação sobre Droga) suba para 500, aproximadamente. De acordo com Maria Moreira, do Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência, das novas substâncias que surgiram, quatro estão a ser avaliadas e podem ser consideradas muito perigosas.

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De acordo com o mesmo documento, que também reflecte o mercado de oferta de drogas em 2013, o haxixe está no topo das substâncias com maior número de apreensões, seguindo-se a cocaína e depois a heroína, duas substâncias cujas apreensões têm vindo a diminuir nos últimos anos, tendo-se registado os valores mais baixos desde 2002 e 2005. Nesta lista constam ainda as apreensões de cannabis herbácea e de ecstasy.

Fazendo um quadro geral, a cannabis tem predominado de uma forma crescente, sendo a cocaína a segunda droga com maior visibilidade. Recorde-se que, de acordo com o Flash Eurobarometer de 2014, a cannabis é vista como a droga mais acessível entre os jovens europeus com idades compreendidas entre os 15 e os 24 anos. Pelo contrário, tal como tem acontecido em anos precedentes, em 2013 a heroína perdeu "protagonismo", apesar de estar mais barata, o que reforça a quebra já registada em 2011.