A TVI divulgou esta sexta-feira à noite as respostas de José Sócrates a seis perguntas colocadas pela estação de Queluz de Baixo. Preso preventivo no Estabelecimento Prisional de Évora desde finais de Novembro, o ex-primeiro ministro, indiciado por crimes de corrupção, fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais, mostrou-se disponível para responder às questões, porque considera que o faz em legítima defesa. No entender do ex-secretário geral do PS, todo este processo em que se encontra envolvido tem contornos políticos. O juiz Carlos Alexandre é um dos visados por parte de Sócrates.

"Dou esta entrevista em legítima defesa.

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Em legítima defesa contra a sistemática e criminosa violação do segredo de #Justiça", começou por alegar o antigo primeiro-ministro de Portugal. À primeira pergunta - "Foi confrontado com provas, quando foi interrogado pelo juiz Carlos Alexandre?" -, Sócrates classifica a questão de "essencial", ao frisar que não foi confrontado nem com factos, nem com provas. Sobre um dos crimes pelo qual é suspeito (corrupção), Sócrates diz tratar-se de "pura invenção", uma "hipótese de trabalho", um "crime presumido", sem que existam quaisquer "indícios ou provas". A segunda pergunta - "Como encara o que está a acontecer? E, caso tenha acesso, como encara o que tem sido publicado?" - foi respondida de forma sucinta por Sócrates, ao afirmar que, não obstante ter sido proibido de falar, e ainda que o procurador [Rosário Teixeira], o juiz e os jornais tenham "muito do lado deles", a verdade é algo que lhes escapa.

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"E é pelo triunfo da verdade que lutarei", alertou.

Questionado sobre as prisões de Carlos Santos Silva (amigo e empresário) e João Perna (motorista), José Sócrates considera ambas "injustas" e "injustificadas", diz que foram decretadas "sem factos que as possam fundamentar", tal como a sua. Sócrates refere ainda que, no caso de Perna, a prisão foi ordenada para "aterrorizar" um individuo que "julgavam vulnerável", ao passo que a prisão de Santos Silva justifica-se, essencialmente, pelo facto do empresário da Covilhã ser seu amigo pessoal há 40 anos. "Dói-me profundamente a sua situação", sublinhou.

Na pergunta 4, José Sócrates foi instado a comentar as suspeitas alusivas ao seu apartamento de Paris, ao dinheiro que lhe foi entregue por Santos Silva e às idas de João Perna à capital francesa, alegadamente com malas de dinheiro. Sobre o "apartamento de luxo" e o seu estilo de vida, entre outros aspectos, Sócrates defende que "há suspeitas que só existem quando se quer muito acreditar nelas!" Relativamente ao dinheiro que recebeu de Santos Silva, o antigo secretário-geral socialista aponta que pedir dinheiro emprestado a um amigo não é crime e que lhe irá pagar "o que for devido", apesar da relação informal e da amizade que os une há várias décadas.

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Na resposta à pergunta cinco - "É verdade que sabia que estava a ser investigado? Desde quando?", Sócrates alega que "não fazia a mínima ideia", pois não dá importância a rumores. Finalmente, à questão seis, que procura ligar todo este processo à vida política, numa altura em que falta menos de um ano para as eleições, Sócrates diz desconhecer tudo o que está por trás deste caso, "onde todos os crimes são vagamente presumidos" e em que apenas a prisão é "concreta". Para Sócrates, este processo tem origens políticas, na medida em que há o "poder de deter" para interrogar e o "poder de prender" de forma preventiva pessoas que, no seu entender, estão inocentes.