A estação pública de televisão portuguesa tem estado "debaixo de fogo" nos últimos dias. A controvérsia teve origem numa entrevista realizada esta sexta-feira a Afonso Dias, o raptor de Rui Pedro em 1998, no programa "Agora Nós", exibido nas manhãs de segunda a sexta. De elementos da empresa pública aos telespectadores, as críticas não se fizeram esperar e a indignação dos contribuintes depressa inundou as redes sociais. Recorde-se que o recurso interposto pela defesa de Afonso Dias foi indeferido pelo Tribunal Constitucional (TC) há pouco mais de duas semanas, pelo que o motorista irá mesmo cumprir a pena de três anos de prisão.

Segundo avança a edição deste sábado do Diário de Notícias (DN), a resposta da Comissão de Trabalhadores da RTP à entrevista acontece esta segunda-feira, dia 2 de fevereiro, mas um grande número de críticas já chegou junto do provedor dos espectadores.

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Na página oficial do Facebook do programa apresentado por Tânia Ribas de Oliveira e José Pedro Vasconcelos, a reprovação dos cibernautas é praticamente unânime. "Fiquei perplexa [ao ver Afonso Dias no programa], pois todos os meses 'roubam-me 2,35€' na factura da EDP para o pagamento da taxa de audiovisual para certas pessoas terem direito de antena", escreveu uma telespectadora naquela rede social. Outro utilizador, também indignado, questionou: "Como é possível dar tempo de antena a esse individuo".

Minutos depois do fim da entrevista, Manuel Mendonça, o pai de Rui Pedro, ligou para o "Agora Nós" com o intuito de contestar o que Afonso Dias havia afirmado. Por seu turno, Filomena Teixeira, a mãe do menino raptado em Lousada, frisou ao DN que vai agir judicialmente contra Afonso Dias devido às "afirmações que fez".

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O diário português sublinha que procurou entrar em contacto com Hugo Andrade, o director de programas da RTP, José Pedro Silva, da Coral Europa (empresa que produz o programa), e apresentadores do formato, mas sem sucesso.

Afonso Dias é o único arguido no caso Rui Pedro. O motorista terá sido a última pessoa a estar com o jovem antes do seu desaparecimento, no dia 4 de março de 1998. Após várias batalhas judiciais, a decisão do TC não é passível de mais recursos, e ainda que Paulo Gomes, advogado de Afonso Dias, classifique a pena de prisão como uma "tremenda injustiça", a verdade é que a condenação de Afonso Dias é já um dado adquirido.