A inflação de notas no ensino privado é um assunto debatido com regularidade e tem cada vez mais evidência e sustentabilidade. Em todos os anos lectivos, milhares de alunos do secundário decidem prosseguir a sua #Educação em instituições privadas, pois consideram ser mais fácil tirar boas notas e, consequentemente, entrar nos cursos universitários pretendidos. Este facto representa uma desvantagem significativa em relação os alunos do ensino público, que se sentem injustiçados e discriminados. Estes questionam-se frequentemente sobre se o facto de pagar pelo ensino significa obrigatoriamente uma vantagem para entrar na universidade.

Os alunos das escolas públicas têm melhores notas nos exames nacionais e estão melhor preparados para o ensino superior, demorando menos tempo para o concluir do que os alunos que saem do ensino privado.

Publicidade
Publicidade

Estas foram as conclusões de um estudo de dois investigadores, que analisou os números de mais de três milhões de alunos, desde 2001. " O público prepara os alunos para a faculdade e o privado está obcecado na entrada dos seus alunos na universidade", afirma Filinto Lima, Presidente da Associação das Escola Públicas. A discrepância das notas internas é uma realidade.

Constantemente, os alunos da pública tiram melhores notas nos exames nacionais em relação aos da privada, mas as notas internas são o completo oposto. Tendo um impacto significativo (50 a 60%), as avaliações internas são decisivas para o acesso ao ensino superior, dando uma natural vantagem a todos os alunos que estudaram em escolas privadas. Estas instituições desmentem as acusações das " inflações das notas", defendendo-se que a avaliação contínua justifica a diferença entre as notas dos exames e as classificações internas.

Publicidade

Os professores ressalvam que no final do ano tudo pesa na nota final, até o trabalho feito fora das aulas.

É do senso comum que as instituições privadas favorecem e facilitam aos seus alunos o acesso ao ensino superior e este estudo veio confirmar este facto, apesar de estas o negarem vivamente. Esta realidade põe a nu a "democracia podre" que existe no acesso à Universidade. Os alunos do ensino público tem razões para se sentirem injustiçados; trabalham tanto ou mais que outros e as suas notas continuam a ser constantemente inferiores. Porque não um acesso somente para alunos do privado e outro para os alunos do público?