Após quase 2 semanas de frio rigoroso, que se começou a verificar em Portugal por volta do Natal, muitos portugueses não estão a resistir da melhor forma. De Norte a Sul, a afluência às urgências tem sido acima do que é habitual. Longas horas de espera, em cenários desesperantes, multiplicaram-se em vários hospitais. Agora que se aproxima uma pequena subida das temperaturas, será hora de perguntar porque não está o povo português e o seu sistema de saúde preparados para alguns dias mais frios que o habitual.


A situação continuava difícil no hospital Amadora Sintra na passada sexta-feira, de acordo com a Rádio Renascença. Depois do episódio da contratação de médicos com remuneração extra para assegurar as urgências na Passagem de Ano, a falta de médicos continuava a verificar-se. Alguns doentes chegaram a esperar 20 horas para serem atendidos. 


Já em Coimbra, segundo o Correio da Manhã, as urgências do Centro Hospitalar e Universitário (CHUC) teve uma afluência superior ao habitual que também causou congestionamentos. Os motivos, além de "muitos acidentes",  estavam relacionados com "más disposições" e "gripes", embora o hospital tenha referido que a situação normalizou a partir das 19 horas. 


Em Évora, e de acordo com o Ionline, o tempo de espera nas urgências do hospital local chegou às 18 horas, entre Sexta-feira e Sábado. A Administração Regional de Saúde do Alentejo referiu que a "maior parte" dos casos poderiam ter sido atendidos em "centros de saúde ou unidades de saúde familiares", o que indicia, tal como em Coimbra, que se trata de más disposições e outras situações relacionadas com o frio. E também no hospital de Santa Maria da Feira, segundo a TVI24, o tempo de espera nas urgências chegou a ser de 8 horas. 


O Instituto Português do Mar e da Atmosfera mantém o alerta amarelo para tempo frio para parte do território português. A persistência das temperaturas baixas indicia que os casos estarão relacionados com a inadaptação ao frio. As casas portuguesas, por vezes por motivos económicos, estão menos preparadas para os rigores do Inverno, em termos de climatização e isolamento. Nem sempre os portugueses, também, têm os mesmos hábitos de outros povos mais a Norte quanto ao modo de vestir, para combater o frio. E quanto ao tempo de espera nos hospitais, é de supôr que o sistema não está  preparado para uma situação sazonal e que deverá ser previsível. Faltará contabilizar os efeitos desta vaga de frio na taxa de mortalidade, que efectivamente atinge os mais vulneráveis, mas já existem alguns números sobre a última semana de 2014.