A crise que se abate sobre os hospitais públicos já não é nova, mas a cada dia que passa a gravidade aumenta e atinge já um sinal de ruptura total. Em 2013, após os cortes aos pagamentos de horas extraordinárias, as equipas de prevenção de neurorradiologia de intervenção e neurocirurgia do Hospital de São José, em Lisboa, começaram a deixar de prestar serviços ao fim-de semana. Desde então nada se alterou, apesar desta situação ser do conhecimento da administração e do director clínico. Até ao momento a administração do Hospital de São José continua a recusar prestar qualquer tipo de esclarecimento sempre que é confrontada com a situação.

Qualquer doente que dê entrada no Hospital de São José com sintomas de ruptura de aneurisma após as 16 horas de sexta-feira, só será devidamente tratado na segunda-feira seguinte, uma vez que nesse período não existe qualquer equipa de prevenção disponível.

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As equipas de prevenção de neurorradiologia de intervenção e neurocirurgia deixaram de prestar serviços há mais de um ano, devido aos cortes no pagamento de horas extraordinárias e até ao momento nada foi feito para reverter esta lamentável situação. De acordo com as recomendações internacionais, os doentes que tenham sofrido uma ruptura de aneurisma devem ser tratados logo nas primeiras 24 horas, para que se evite o surgimento de novas hemorragias e por consequência seja reduzida a possibilidade de sequelas graves ou o risco de morte do paciente. Assim sendo, estamos perante um Serviço Nacional de Saúde que, para além de não dar resposta às necessidades da sua população, também não cumpre as recomendações internacionais. Apesar de existir este tipo de tratamento no Hospital de Santa Maria durante o fim-de-semana, o sindicato apresentou já elementos que comprovam que os pacientes não estão a ser para lá encaminhados.

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Recordemos que, no final do ano de 2014, um paciente acabou por falecer enquanto aguardava para ser assistido na sala de espera deste mesmo hospital. São cada vez mais alarmantes os casos de incapacidade em dar resposta nas urgências dos hospitais públicos e agora surgem também na comunicação social casos problemáticos relativamente a atendimento especializado, que está a ser suprimido devido aos constantes cortes na área da saúde. Da parte do Ministro da Saúde continua a existir apenas silêncio e inércia, o que pode indicar que a sua saída do governo esteja para breve.