Portugal ainda está longe dos números da União Europeia, mas a igualdade entre sexos, nas grandes empresas portuguesas, nunca foi tão forte como agora. Na última década, o país duplicou a presença de mulheres em conselhos de administração do PSI20 (top 20 empresas nacionais), passando de quatro por cento, em 2003, para nove por cento, em 2013. Ainda assim, se os 9 porcento ainda estão longe dos 18 por cento de média verificados na União Europeia, a discrepância é abismal na existência de mulheres nas chefias das empresas. Portugal não tem nenhuma mulher como presidente de um dos PSI20.

Durante a apresentação do estudo, a nova presidente da CITE (Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego), Joana Gíria, na subcomissão parlamentar da Igualdade, revelou que a previsão para 2015 é a melhor e que se calcula que haja um aumento considerável desta percentagem, nos próximos anos.

Publicidade
Publicidade

Em relação à percentagem de mulheres directoras ou gestoras executivas os números diminuíram ligeiramente entre 2012 e 2013, descendo 1,4 por cento e fixando-se agora nos 33,7 por cento.

Houve, de facto, em Portugal, um crescimento gradual da presença feminina em altos cargos, porém a total igualdade estará ainda muito distante e, para já, é somente uma miragem. Exemplificando com casos relevantes na sociedade portuguesa, o conselho de Estado, órgão político de consulta de Cavaco Silva, é constituído apenas por duas mulheres entre os 19 elementos. Também o Supremo Tribunal de Justiça é um espelho da desigualdade: dos 60juízes, apenas 6 são mulheres.

As diferenças não ficam apenas por aqui. Estendendo a outras áreas profissionais, as mulheres estão em maioria nas áreas intelectuais e científicas.

Publicidade

Já os homens são predominantes nas profissões que mais esforço físico exigem. Quanto aos cargos de liderança e de maior importância nas mais variadas profissões, a mulheres são claramente a minoria, oscilando a sua presença entre os 20 e os 30 por cento. Depois de apresentados os números, conclui-se facilmente que Portugal ainda está longe da situação ideal na igualdade entre sexos, estando claramente atrasado, quando comparado a outros países membros da União Europeia. A mudança estará a ser naturalmente gradual, mas a atual realidade ainda é chocante e preocupante.