Se é utilizador assíduo dos serviços prestados pela CP na linha de Cascais, por certo já reparou que, desde o passado domingo, há menos comboios em circulação naquela linha. É que a empresa portuguesa de transporte ferroviário decidiu reduzir a oferta vigente até então, ao eliminar os comboios que faziam o trajecto rápido (período compreendido entre as 10h e as 17h), para implementar um novo horário que contemple, na sua esmagadora maioria, composições que efectuem paragens em todas as estações e apeadeiros. No total circulavam 251 comboios/dia, sendo que agora os utentes da CP deparam-se com a retirada de 51 comboios da linha que liga aquela vila ao Cais do Sodré, em Lisboa.

Publicidade
Publicidade

Mas a contestação a esta medida não se fez esperar. Esta segunda-feira, Paulo Vistas, presidente da Câmara Municipal de Oeiras, criticou fortemente a CP.

A CP - Comboios de Portugal justifica a medida com base num estudo da procura naquela linha férrea, no qual se conclui que não existe volume suficiente de passageiros entre as 10h e as 17h, pelo que os comboios foram suprimidos. Segundo a CP, dos 80.250 passageiros (por dia útil) que se deslocam na linha de Cascais, apenas 19.000 efectuam as suas viagens entre aquele período de tempo. Em sentido inverso, cerca de 80% dos utentes que detêm passe deslocam-se na chamada hora de ponta, período em que a oferta não sofreu qualquer alteração. A empresa portuguesa assegura que vai monitorizar de forma atenta a evolução "e comportamento da procura na Linha de Cascais", para fazer face da melhor maneira a eventuais ajustamentos.

Publicidade

Porém, Paulo Vistas veio a terreiro esta segunda-feira criticar a CP por utilizar "critérios economicistas". Para o autarca de Oeiras, eleito pelo movimento Isaltino Oeiras Mais à Frente, a medida adoptada pela CP não vai de encontro à política preconizada pelo município, que procura promover a utilização de transportes colectivos. Paulo Vistas não tem dúvidas ao afirmar que a decisão da CP vai contribuir "para prejudicar substancialmente" os habitantes de Oeiras. Outro aspecto que preocupa o autarca tem que ver com o aumento de circulação de viaturas próprias que, inevitavelmente, acarreta "implicações económicas e ambientais". De acordo com um estudo encomendado pela Câmara de Oeiras há oito anos, cerca de 220 mil veículos ligeiros entram no concelho diariamente. Com a implementação desta medida, espera-se que o número de carros a circular  suba ainda mais, pelo que a medida da CP, nas palavras de Paulo Vistas, "só piorará a situação".

Carlos Carreiras também está contra

O presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras, também manifestou o seu desagrado com a diminuição do número de comboios, na linha de Cascais. Nesse sentido, o autarca que comanda os destinos daquela vila desde 2011 solicitou uma reunião com a administração da CP e com a secretaria de Estado dos Transportes, marcada para o dia de hoje, terça-feira.