Muitas são as críticas dirigidas à #Justiça portuguesa, nomeadamente feitas pelos meios populares, sobre a forma como "o povo" é tratado de maneira diferente relativamente a pessoas de renome. Comummente são proferidas expressões como "o grande safa-se sempre e o pequeno nunca tem hipótese". Mas em pouco tempo tudo parece ter mudado. Podemos agora assistir, em poucos meses, a grandes operações e sobressaltos em processos judiciais envolvendo os ditos "grandes" do contexto nacional. Estas operações levadas a cabo pelo DCIAP (Departamento Central de Investigação e Acção Penal) em tão curto espaço de tempo levam muita gente a levantar a questão sobre o que terá mudado na Justiça.

Nos últimos meses Ricardo Salgado (ex-presidente do BES) viu-se obrigado a pagar uma caução de três milhões de euros, José Sócrates (ex-primeiro-ministro de Portugal) está detido preventivamente e a aguardar julgamento num estabelecimento prisional em Évora, e também dois altos responsáveis da Administração Pública, António Figueiredo (presidente do Instituto dos Registos e do Notariado) e Manuel Jarmela Palos (director do SEF - Serviço de Estrangeiros e Fronteiras), não escaparam a este cerco apertado da justiça.

Conceição Gomes (investigadora no Observatório Permanente da Justiça) vem dizer que estes casos pertencem à esfera de acção do Ministério Público e que ainda estão sob investigação. Acrescenta ainda que Joana Marques Vidal entrou como nova procuradora-geral em 2012 e Amadeu Guerra como director do DCIAP, dando ambos origem a uma melhor organização nesse mesmo Ministério. A investigadora Conceição adopta no entanto uma posição de cautela perante todo este cenário, referindo que não é a primeira vez que os poderes político e económico são perseguidos pela Justiça e que o importante é apurar responsabilidades e saber qual vai ser o desfecho dos processos. No entanto a jurista e doutorada em psicologia concorda que o impacto destes processos é grande e lembra ao povo português que ninguém está acima da lei.