Para muitos considerado como o mamífero mais dócil e inteligente da espécie animal, poucos saberão, contudo, que a mortalidade das crias de golfinhos roazes (Tursiopstruncatus), em cativeiro, é ainda bastante significativa e que uma das principais causas se deve à falta de cuidados maternos. A boa notícia é que uma investigadora portuguesa, Mariana Silva, Mestre em Medicina Veterinária da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em colaboração com o Zoomarine, conseguiu definir os procedimentos que tornam possível a criação do primeiro banco de leite de golfinho do mundo e que poderá, assim, vir a salvar a vida de milhares de crias.

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De facto, a equipa chegou à conclusão que, à semelhança do que acontece com os bancos de leite humano, estas reservas de leite de golfinho, quando mantidas no frio, poderão salvar a vida das crias que, por diversas razões, se viram privadas do aleitamento materno.

O estudo realizado incidiu na caracterização da composição de leite de golfinho-roaz e do efeito da congelação no seu valor nutricional, constituindo, assim, um primeiro passo para a construção de um banco de leite que permita socorrer crias em risco. Terá, assim, como objetivo manter disponível leite natural da espécie, que apresenta claras vantagens nutricionais e imunológicas quando comparadas com as fórmulas artificiais de leite que não possuem nem os níveis calóricos desejados, nem os nutrientes.

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Será, deste modo, possível colmatar as necessidades de aleitamento de crias carentes de cuidados maternos ou órfãs.

Na experiência que realizou junto dos golfinhos do Zoomarine, a investigadora, em colaboração com Ana Luísa Lourenço, docente e investigadora também da UTAD e Carla Anne Flanagan, médica veterinária do Zoomarine, pôde confirmar que o leite materno não apresentava alterações de destaque quando congelado a 20 graus Celcius negativos num prazo máximo de seis meses.

Para realizar esta investigação, Mariana Silva recolheu leite das fêmeas do Zoomarine a fim de confirmar a preservação do seu valor nutritivo pois, apesar de já existir um banco de leite, não existiam informações sobre a eficácia do seu funcionamento e o que seria necessário para conservar os valores nutritivos do leite. A forma de obtenção do leite foi feita através dum processo de voluntariado espontâneo das fémeas ao se aproximarem da investigadora, colocando a barriga para cima.

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Posteriormente, essas fémeas eram massajadas para favorecer a condução do leite que era recolhido. Tendo chegado a esta conclusão, o próximo passo será, então, criar, em conjunto com o Zoomarine, o primeiro banco de leite de golfinho do mundo para acudir às crias em risco.

Este estudo será apresentado pela investigadora Mariana Silva no 43.º Simposium Anual da Associação Europeia para os Mamíferos Aquáticos, que decorrerá no próximo mês de Março, na Suécia, sob o tema "Primeiros passos na criação de um banco de leite de Golfinho" e poderá vir a ser aplicado por qualquer instituição que mantenha golfinhos roazes. #Natureza #Animais