Foi finalmente encontrado o cadáver do terceiro pescador de amêijoa desaparecido no Tejo a 20 de Dezembro. O corpo foi recolhido ontem, Sábado, na ponta dos Corvos, concelho do Seixal, praticamente no mesmo sítio onde tinham surgido os cadáveres dos outros dois pescadores. A Política Marítima explicou à agência Lusa que o cadáver foi enviado para o hospital almadense Garcia de Orta. A Polícia Marítima não adiantou explicações sobre o motivo de o cadáver não ter sido encontrado até agora, uma vez que estava muito próximo do local onde os outros dois foram encontrados. Aparentemente, os três pescadores, tendo desaparecido da mesma forma, foram arrastados pela mesma corrente e para o mesmo ponto, tendo desaparecido no Barreiro e flutuado ao longo da margem esquerda do Tejo até se fixarem no Seixal.

O primeiro cadáver foi encontrado às 17:30 do próprio Sábado, 20 de Janeiro, cerca de cinco horas depois de ter sido dado o alerta, e o segundo no dia 1 de Janeiro. Recorde-se que as autoridades empregaram vários meios de busca e salvamento ao longo do fim-de-semana de 20 e 21 de Dezembro, nomeadamente mantendo a esperança de encontrar o terceiro pescador ainda com vida durante esses dois. Posteriormente, quando se perdeu essa possibilidade, o raio de acção das buscas chegou a estender-se desde Vila Franca de Xira até Almada. #Desaparecimento

A apanha da amêijoa é uma fonte de rendimento para centenas de pessoas residentes na Margem Sul do Tejo, que arriscam a vida e enfrentam a fiscalização da Polícia Marítima (uma vez que a actividade é ilegal) a troco do preço elevado do marisco por quilo. Algumas pessoas conseguem transformar a actividade num trabalho a tempo parcial que complementa os orçamentos familiares. Outras conseguem até rendimentos bem melhores que o salário médio, tendo em conta também que, tratando-se de uma actividade ilegal, os pescadores não declaram qualquer rendimento. Contudo, os falecimentos têm-se sucedido ao longo dos anos, uma vez que nêm todos têm o devido conhecimento do Tejo e é fácil, mesmo para um pescador artesanal e que avança alguns metros a partir da margem, perder-se no nevoeiro e sucumbir à hipotermia.