Os serviços de urgências dos hospitais portugueses estão sobrelotados e a causar filas de espera infindáveis, numa situação que já se verifica desde o início do ano. Repetem-se os casos de falecimentos de doentes na própria urgência, enquanto aguardam atendimentos. O tempo excepcionalmente frio que se faz sentir desde há um mês, além dos sintomas de constipação e gripe, agravam outros casos clínicos junto da população mais vulnerável. E muitos portugueses começam a sentir-se alarmados, uma vez que o clima não dá ainda sinais de querer abrandar.


Já se registaram 8 falecimentos em serviços de urgência. Dois dos casos aconteceram no hospital Garcia de Orta, em Almada; num dos casos, o doente recebeu uma pulseira amarela e resistiu 3 horas; no outro, uma idosa de 89 anos aguentou durante 9 horas. E embora o hospital assegure que em ambos, os casos, os doentes não resistiriam mesmo com a intervenção médicas, sucedem-se por todo o país os relatos de muitas horas de espera - cinco, dez ou até mais. Entretanto, a subdirectora-geral da Saúde revelou que já se verificaram mil falecimentos a mais do que era esperado, para esta época do ano.


Ontem, o presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, apontou ao Ministério da Saúde, opinando que o #Governo não está a ser capaz de gerir esta situação. Criticou a aplicação de "medidas avulsas" por parte do ministro Paulo Macedo e apontou que seria essencial um maior número de recursos humanos e mais acção dos "cuidados de saúde primários, através dos centros de saúde."


O Governo retorquiu através do secretário de Estado Adjunto da Saúde, Fernando Leal da Costa. Reabertura de 569 camas; libertação de camas ocupadas, não por doentes, mas por situações de exclusão social; contratação urgente de profissionais; horários dos centros de saúde reforçados; e mais vacinação foram algumas das medidas apontadas. O próprio ministro Paulo Macedo criticou o "alarmismo" e as "falsidades" relativamente à capacidade do SNS de lidar com esta situação de emergência geral. Contudo, crescem os rumores que o seu cargo pode estar em perigo.


Para os próximos dez dias, o Instituto Português do Mar da Atmosfera prevê que a temperatura máxima, em Portugal Continental, se mantenha abaixo dos 15º. Já a mínima deverá subir em torno dos 10º, até ao fim-de-semana e enquanto a chuva prossegue. A partir de Domingo, regressa o sol e a temperatura mínima baixa novamente.