Dois dias depois da primeira vítima mortal de violência doméstica, deu-se a segunda fatalidade. Em Lamego, um homem alvejou a sua ex-mulher por três vezes, cometendo suicídio em seguida. O crime aconteceu em plena via pública, numa rotunda à entrada da cidade beirã, tendo sido presenciado por uma amiga da vítima, que recebeu tratamento hospitalar devido ao choque psicológico. As desavenças entre o ex-casal, na casa dos 50 anos, eram motivadas por partilhas de bens precisamente decorrentes do divórcio. De acordo com o Correio da Manhã, a vítima já havia sido ameaçada pelo assassino devido a esta situação. Chamadas ao local, as autoridades já nada puderam fazer. A investigação do caso foi atribuída à Polícia Judiciária.


Este homicídio chega, ironicamente, apenas um dia depois da inauguração do Centro de Apoio à Vítima de Violência Doméstica de Lamego. O próprio presidente do município lamecense, Francisco Lopes, apontou à imprensa que o centro começa por ser serviços de "atendimentos e encaminhamento", esperando vir a ter apoio jurídico nos próximos meses. Francisco Lopes apontou como objectivo principal também a criação de um "centro de acolhimento de emergência", precisamente para que vítimas de violência doméstica possam ter um local para onde ir, que não a sua casa. O município está em negociações com a Santa Casa da Misericórdia, neste sentido, e espera que a actividade do centro possa estender-se a outros municípios vizinhos que não tenham o mesmo serviço.


O município de Lamego está a fazer a sua parte e é uma partida injusta do destino que esta situação lhe tenha batido à porta nesta data. Ou talvez seja uma forma de a cidade prosseguir e não deixar esmorecer o seu esforço particular neste tema. Francisco Lopes poderá igualmente juntar-se a uma iniciativa do jornal Ionline, que desafiou vários presidentes de Câmara a dar o nome de uma rua das respectivas cidades a uma vítima de violência doméstica - precisamente para dar um nome e um rosto a esta tragédia. Braga, Viseu, Cascais e Amadora já responderam positivamente.


No ano transacto, as 42 mortes por violência doméstica traduzem-se numa média de 3,5 fatalidades por mês. De acordo com este cálculo, serão de esperar mais 1 ou 2 casos ainda até ao final do corrente mês de Janeiro?