Uma das grandes realidades dos conflitos armados é que não basta ter o equipamento ou a vontade para combater, é preciso estar preparado. Por esse motivo as forças armadas de qualquer país que leve a defesa do seu espaço soberano ou dos seus interesses a sério, terá de exercitar o seu "músculo", isto é, os homens e mulheres aos quais é dada tal responsabilidade. Devido ao seu contexto regional e internacional, a NATO leva estes exercícios extremamente a sério. Todos os países da Aliança Atlântica têm algum tipo de destacamento ativo em algum ponto do globo a qualquer altura, e ainda existem as ameaças existenciais prementes, como a agressão russa na Ucrânia ou a presença do Estado Islâmico no Médio Oriente e Norte de África insistem em recordar.

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Por esse motivo as forças armadas nacionais desenvolveram o exercício Real Thaw, que se dá anualmente, entre o final de fevereiro e o início de março, e embora focado sobretudo no papel da Força Aérea, engloba também elementos do Exército e da Marinha, assim como de outros estados membros da NATO.

Estes exercícios iniciaram-se em 2009 e este ano têm como epicentro a Base Aérea Nº 11 em Beja. Usualmente implicam a criação de um contexto, isto é um conflito fictício, sobre o qual possam ser desenvolvidas operações que simulem ações militares reais. Todos os elementos da Força Aérea estão presentes de algum modo, desde os mediáticos F-16AM Fighting Falcon (caças multifunções desenvolvidos para defesa do espaço aéreo, mas que estão também prontos para ataque ao solo), até aos vetustos helicópteros Alouette IIIs (sobreviventes do conflito no Ultramar e ainda hoje um cavalo de batalha das unidades operacionais),passando pelas unidades de transporte (C-130 Hercules, C-295 Persuader e também helicópteros pesados EH-101 Merlin), treino (Alpha Jet), e patrulha marítima (P-3 Orion).

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Como referido, usualmente estão presentes também tropas internacionais. Este ano a honra coube à Espanha e à Dinamarca. A primeira trouxe alguns dos seus caças EF-18 Hornet e Typhoon, estes últimos estando entre os melhores e mais avançados aviões de combate do mundo, assim como C-295 de transporte, similares aos usados em Portugal. Já a Dinamarca fez-se representar com helicópteros utilitários Fennec, normalmente usados como unidade de reconhecimento e inserção tática para as unidades operacionais. A estes elementos juntam-se Controladores Aéreos Avançados dos Estados Unidos da América e da Holanda. Designados FAC, pela sigla em inglês, estes são especialistas em coordenar ações entre aeronaves e tropas no solo, de modo a que o apoio aéreo possa atingir o inimigo sem causar estragos nas próprias tropas.

Por fim haverá ainda um E-3 da NATO, uma gigantesco aparelho de 4 motores utilizado para observar e coordenar todo o campo de batalha.

O exercício desenvolver-se-á sobretudo no Norte do país, sendo um elemento importante para a manutenção da prontidão militar das forças da NATO.

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Permitirá ainda aos curiosos mais atentos vislumbrar aeronaves usualmente inéditas no espaço aéreo nacional. O Real Thaw 2015 iniciou-se em 23 de fevereiro e terminará a 6 de março.