Com o entendimento cada vez mais perto de se concretizar entre Eurogrupo e Grécia, várias são as vozes políticas, em Portugal, que questionam a enorme passividade do actual Governo português nas negociações com a troika e os parceiros europeus. Se a Grécia bateu o pé aos colossos europeus (Alemanha à cabeça), conseguindo que algumas das suas exigências fossem ouvidas, porque Portugal não "ousou" fazer o mesmo, lutando desta forma pelos reais interesses da sua população, que tanto tem sofrido nos últimos anos com a austeridade impingida pela troika? As críticas ao "bom e bem-comportado aluno do FMI" - Portugal. Têm sido severas, sobretudo vindas da esquerda política portuguesa.

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PCP e Bloco de Esquerda defendem que o que a Grécia está a fazer, Portugal já o deveria ter feito há muito tempo, para bem do seu povo. "O que nós estamos a assistir é, pela primeira vez, um #Governo da União Europeia exigir algo diferente daquilo que a Alemanha pretendia e, com isso, conseguir mudar o resultado da reunião do Eurogrupo. Algo que o Governo português deveria ter aprendido", afirmou Pedro Filipe Soares, deputado do Bloco de Esquerda.

Porém, as acusações não ficam por aqui. Os bloquistas acrescentam que existiu uma clara falha do governo português, pois nunca tentou fazer algo tão "arrojado" como a Grécia fez e, sobretudo, defender Portugal das "investidas" europeias". A Grécia pode não ter alcançado tudo o que queria desde início, mas conseguiu alguma coisa.

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Esta é a diferença entre quem é submisso como o Governo português ou quem luta por ter algumas vantagens", concluiu Pedro Soares.

Apesar do acordo, que está prestes a ser assinado por ambas as partes e que em nada tem a ver com o pretendido pelo novo Governo grego, o facto do país ter batido o pé a todas as exigências das grandes instâncias europeias, abriu precedentes nunca antes registados. Jogando com o alto interesse da União Europeia em ter a Grécia como um dos membros com o euro como moeda oficial, até porque essa mesma moeda iria descer muito no seu valor no mercado se existisse de facto uma saída, os gregos jogaram muito bem com esse factor, algo que Portugal nunca fez junto da troika.