José Sócrates recebeu esta quinta-feira à tarde mais três visitas de personalidades da vida política e pública portuguesa. Carlos Silva, actual dirigente da União Geral de Trabalhadores (UGT), João Proença e Rui Oliveira e Costa, ex-líderes daquele sindicato, deslocaram-se ao Estabelecimento Prisional de Évora para se encontrarem com o antigo primeiro-ministro português. Sócrates está preso preventivamente desde o final do mês de novembro, por suspeita de crimes de branqueamento de capitais, corrupção e fraude fiscal qualificada. A medida de coacção aplicada a José Sócrates será reavaliada entretanto por Agostinho Soares Torres, ex-director adjunto da PJ, pelo que a decisão deverá ser tornada pública no final de março.

Publicidade
Publicidade

À saída da cadeia de Évora, Carlos Silva condenou o julgamento que vem sendo feito na praça pública a uma pessoa que nem sequer foi condenada pela #Justiça. O secretário-geral da UGT defendeu que numa democracia com 41 anos de história não é admissível que haja lugar a uma "decisão na praça pública" sem que exista, efectivamente, uma condenação pelos órgãos judiciais. Carlos Silva recorreu ainda ao princípio jurídico da presunção de inocência para assinalar que todos os cidadãos são "presumivelmente inocentes até prova em contrário".

João Proença, que dirigiu os destinos daquela central sindical durante 18 anos, sublinhou as declarações proferidas por Carlos Silva. Para o antigo líder sindical, "estas questões" são do domínio da justiça e, como tal, não devem ser julgadas na "praça pública", local onde "as pessoas não se podem defender".

Publicidade

João Proença classificou ainda de "inaceitável" a constante fuga ao segredo de justiça.

Advogado de José Sócrates falou ao jornal i esta quarta-feira

João Araújo, representante do ex-líder socialista, concedeu esta quarta-feira uma entrevista ao jornal i, onde teceu duras críticas a várias notícias que têm sido publicadas sobre o caso Sócrates. O advogado do antigo primeiro-ministro considera que grande parte dessas notícias são "tendenciosas" e "mal informadas".