Através de 12 especialistas, o Conselho Nacional de #Educação (CNE) apresentou um relatório de intervenção sobre o atual sistema de educação. O fator mais importante e a necessitar de intervenção prende-se com a retenção de alunos, aos quais não são identificados os conhecimentos necessários para seguir para o ano de aprendizagem seguinte. Esta situação foi já identificada também por alguns estudos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), onde se associa o fenómeno do chumbo a uma questão cultural ultrapassada. Com base em elementos do ano de 2012, Portugal encontra-se em terceiro lugar na lista de países com mais chumbos, onde 34,3% dos alunos com mais de 15 anos já chumbou pelo menos uma vez.

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Para o CNE a retenção de alunos não promove uma melhor aprendizagem no ano seguinte. Com argumento foram utilizados os resultados dos testes PISA da OCDE, onde é demonstrado que o desempenho de alunos, que se encontram a repetir um determinado ano de aprendizagem, é bastante inferior ao dos alunos que lá se encontram pela primeira vez. Para além do desempenho, também são apresentados fatores financeiros, onde é estimado que a retenção de alunos tenha um custo a rondar os 4 mil euros por aluno. Valores que segundo o CNE poderiam estar a ser utilizados na especialização de professores e numa reestruturação do ensino para a recuperação de alunos com maiores dificuldades de aprendizagem.

Outro dos pontos focados no relatório foram as provas finais do 4.º e 6.º anos, que segundo o CNE estão associadas ao aumento de retenções de alunos nesses mesmos anos, ou seja, desde que estas provas foram introduzidas, os chumbos passaram a ser em maior escala.

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Para o CNE deveria ser dada mais importância ao acompanhamento de alunos logo nos primeiros anos em que sejam diagnosticadas dificuldades na aprendizagem, em vez de se estruturar o ensino com base em provas de conhecimentos adquiridos. A crença de que ao ser repetido um determinado ano, irá ajudar o aluno a consolidar conhecimentos, parece estar ultrapassada e apenas continua a ser colocada em alguns países onde a cultura existente assim o impõe.

Como exemplo a ser seguido são apresentados os modelos da Lituânia, Islândia, Finlândia e Reino Unido, onde a taxa de alunos com mais de 15 anos que tenham tido pelo menos uma reprovação, não atinge os 4%, valores bem diferentes dos de Portugal onde a percentagem está nos 34,3%. Na OCDE a média destas percentagens situa-se nos 13% e, como curiosidade, é apresentado o caso norueguês onde a taxa de retenção é inexistente.