A mortalidade do Inverno 2014/15 foi a mais elevada deste século. Desde o inverno de 1998/99 que o número de óbitos não era tão elevado. A Direcção-Geral de Saúde aponta o frio extremo, que se tem verificado, e o envelhecimento da população como causas para esta situação. Contudo, este número coincide com uma estação em que se verificaram muitos casos de congestionamento e falta de capacidade de resposta das urgências dos hospitais.

Os dados constam de um relatório do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, que conta até ao dia 21 de Fevereiro. Ocorreram cerca de 4600 óbitos a mais do que seria de esperar, de acordo com os modelos matemáticos de previsão. O Instituto aponta que o estudo não permite determinar com rigor as causas desta situação, mas que estará associado "ao frio extremo, infecções respiratórias agudas e gripe". As temperaturas médias deste Inverno foram inferiores às de anos anteriores, sendo que o mesmo pico de mortalidade se verificou em vários países europeus (Espanha, França, Itália, Reino Unido, etc.).

O relatório aponta ainda que a mortalidade está associada a "pessoas com mais de 75 anos", sendo que, nos casos de doentes internados em cuidados intensivos, "86% já traziam doenças crónicas" que os deixam mais frágeis, enquanto apenas "20% estavam vacinados contra a gripe". Graça Freitas, do Instituto Ricardo Jorge, sublinha que "doenças cardiovasculares, respiratórias ou diabetes" formam uma combinação letal com a gripe, nestas circunstâncias.

Contudo, a juntar ai ambiente adverso, levantaram-se dúvidas quanto à capacidade dos hospitais reagirem a esta situação. O tempo de espera nas urgências subiu e deram-se vários casos de óbitos em pessoas que aguardavam para serem atendidas nesses serviços. O Ministério da Saúde reagiu alargando os horários de atendimento de centros de saúde, mas os relatos de situações-limite continuaram a surgir. Em vários hospitais, as ameaças de demissão em bloco das chefias (como no caso do Amadora-Sintra) são outro sintoma desta instabilidade. Espera-se, por agora, que a situação normalize com a chegada de Março e a aproximação da Primavera. O IPMA prevê máximas de 23º e mínimas de 15º para Portugal Continental, na próxima semana.