O Governo está a ponderar pagar aos ex-fumadores uma parte do valor gasto nos medicamentos que tenham sido utilizados para largar o vício. Deixar de fumar já foi mais difícil, mas Leal da Costa, secretário de Estado adjunto do ministro da Saúde, quer facilitar a tarefa. Em declarações ao Público, o responsável político admitiu a hipótese de devolver ao "não-fumador comprovado, ao fim de um período de ausência de consumo", o valor da ajuda estatal.

Em alternativa, o Estado pode vir a comparticipar os medicamentos antitabágicos. "Ainda não desistimos de procurar a comparticipação dos medicamentos para a desabituação", afirma Leal da Costa ao Público, lembrando que a solução sobre "a melhor forma de o fazer" passa pela análise conjunta do problema com a Direção Geral de Saúde (DGS).

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De acordo com o mesmo diário, "no final do ano passado, admitia-se que a comparticipação destes medicamentos seria da ordem dos 40%".

Em 2012, em declarações à agência Lusa, Leal da Costa defendia que se devia "dar condições" a quem quer deixar de fumar. A mesma notícia referia que um remédio para ajudar a largar o tabaco custava mais de 40 euros por mês. "O medicamento que possamos considerar passível de comparticipação terá de ter o seu preço revisto. Terá de haver um compromisso por parte do fabricante para uma necessidade de reajustamento do preço para que seja compatível para o erário público", referiu então Leal da Costa.

A possibilidade, ainda em estudo, de apoio estatal na ajuda para deixar de fumar surge na altura em que a Direção-Geral da Saúde (DGS), através do Programa Nacional para a Prevenção e Controlo do Tabagismo, está a lançar uma campanha de prevenção da exposição ao fumo ambiental do tabaco, conhecido como "fumo passivo".

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A campanha usa a imagem inesperada de uma criança a exalar o fumo de um cigarro que um adulto fuma tendo como slogan: "Quando você fuma, todos fumam".

Trata-se de uma "chamada de atenção para este problema de saúde pública, tendo como principal enfoque as crianças e o risco a que estão expostas sempre que alguém fuma dentro de casa ou no carro", lê-se no site da DGS. A mesma fonte alerta que "mais de 80% do fumo do tabaco é invisível, impedindo que as pessoas tenham uma verdadeira perceção do risco a que estão expostas e, por esse motivo, fiquem menos atentas aos outros quando fumam e mais tolerantes com quem fuma perto de si."

De acordo com dados do último relatório da DGS, "em 2010, o consumo de tabaco foi responsável, em Portugal, pela morte de cerca de 11.000 pessoas fumadoras ou ex-fumadoras (aproximadamente 10,3% do total de óbitos verificados naquele ano)". Destes óbitos, cerca de 83,2% foram de homens.