Está a decorrer uma greve dos funcionários não docentes das escolas, que levou ao encerramento de muitos estabelecimentos por todo o país. De acordo com a Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais, a adesão à greve é de 80%. "Centenas" de escolas fechadas são as estimativas sindicais, que referem também o encerramento "da quase totalidade no distrito do Porto" e de "cerca de uma dezena em Lisboa", de acordo com o DN. A situação afectou também os jardins de infância. No Bombarral, uma fonte do Jardim de Infância da Quinta de Santo António referiu, questionada sobre os efeitos da greve, que "haverá almoços como habitualmente; só os transportes é que não."


Os sindicatos apontam, de forma genérica, a sazonalidade e a precariedade dos postos de trabalho, o excesso de horas de trabalho e a valorização dos salários. Algumas das reivindicações mencionadas são "o fim da utilização dos Contratos de Emprego Inserção para ocupação de postos de trabalho permanentes", com os sindicatos a acusar o Ministério da Educação de se limitar a substituir novos desempregados pelos antigos, sem resolver o problema do desemprego nem o da precariedade; "abertura imediata de procedimentos concursais"; a criação de uma "carreira especial para o pessoal não docente", a semana de 35 horas de trabalho ou ainda "o fim da municipalização/privatização", devendo as escolas ser mantidas na tutela do Ministério. 


Entre as acusações que são deixadas, destaque para "a contratação de funcionários, sem experiência com crianças, a 3,20€/hora. De acordo a sindicalista Lurdes Ribeiro, ao portal Esquerda, "faltam 6000 trabalhadores a nível nacional", significando que os estabelecimentos escolares estão a trabalhar com recursos muito abaixo do que seria exigível e necessário. Os sindicatos não excluem a marcação de novas formas de luta se as suas reivindicações não forem atendidas. Uma nova greve ou uma manifestação são algumas das hipóteses colocadas em cima da mesa.

Para muitos pais, por todo o país, esta sexta-feira foi dia de arranjar alternativas para a ocupação dos miúdos. Para os pais com mais recursos financeiros, os ateliers de Tempos Livres funcionam como alternativa lógica. Para os que não têm essa possibilidade, e que não possam recorrer aos avós, ou não estejam no desemprego, este foi um dia de apelo à criatividade. A marcação da greve para a semana do Entrudo veio, assim, garantir que muitas crianças tiveram apenas um dia de aulas esta semana, esperando agora por segunda-feira para retomar o ritmo normal.