Natural de Goa, João Araújo, de 65 anos, concedeu esta quarta-feira uma extensa entrevista ao jornal i. Entre outros aspectos, o advogado do antigo primeiro-ministro português confirmou que esteve com José Sócrates em Paris no dia em que este foi detido e classificou todo este caso como um "bacanal" contra um indivíduo que está detido e não se pode defender. José Sócrates está preso de forma preventiva desde finais de novembro último, por indícios de crimes de corrupção, fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais. Recorde-se que o recurso das medidas de coação aplicadas ao ex-líder socialista será avaliado por Agostinho Soares Torres, sendo que a decisão deverá ser conhecida no final de março.

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Sobre os momentos que antecederam o regresso de ambos a Lisboa, o representante de José Sócrates pronunciou-se de forma algo jocosa, ao afirmar que não voltaram juntos para a capital portuguesa, na medida em que João Araújo tinha "voo marcado numa companhia modesta", ao passo que "o senhor engenheiro" viajou na Air France. Apesar das discrepâncias de voo, o advogado de Sócrates sublinhou que foi a Paris devido ao facto de ter havido buscas em casa da ex-mulher e do filho de Sócrates, para além das detenções de João Perna (o motorista) e de Carlos Santos Silva (amigo e empresário).

Questionado sobre se preferia que o seu cliente estivesse em prisão domiciliária, João Araújo foi peremptório. "Não vejo que o senhor José Sócrates se sujeitasse a uma coisa desse género.

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Andar com uma anilha? Não acredito, mas isso é uma questão que só ele pode responder". Determinado a provar a inocência de José Sócrates, João Araújo defende que não quer nenhuma prisão [preventiva ou domiciliária], pois não se trata de preferências, mas sim daquilo em que acredita. "Não há razão para estar preso", frisou.

Um dos pontos fortes da entrevista a João Araújo foi sobre as críticas que tem feito aos órgãos de comunicação social. De forma objectiva, o advogado do ex-primeiro-ministro não deixou de sublinhar que não se queixa propriamente das notícias, mas do facto das mesmas serem "tendenciosas" e "mal informadas". Para João Araújo, grande parte das notícias publicadas apresentam um certo "desprezo pela verdade", pois "não são factuais, mas opinativas".

A propósito do impacto que o caso pode ter na vida política de José Sócrates, João Araújo salientou que não é, nem nunca foi, afecto ao Partido Socialista (PS). O advogado defendeu que as suas convicções políticas situam-se à esquerda do PS e disse ainda que não nutre "grandes simpatias" por aquele partido. #Justiça