Mais três meses em prisão preventiva. O advogado de José Sócrates, o Dr. Pedro Delille, ainda não terá sido notificado da decisão do Ministério Público de manter o seu cliente preso por mais três meses em Évora, mas tal terá acontecido até à meia-noite de ontem (terça-feira). Na base da decisão do juiz de instrução criminal e do Ministério Público estão os mesmos pressupostos que justificaram a prisão preventiva de Sócrates em Novembro, ou seja, riscos de forjar informação útil à investigação, de manipulação de influências e possibilidade de fuga para um país da América Latina.

Avançada em primeira mão pelo jornal Correio da Manhã, a informação que José Sócrates estará preso preventivamente, por mais três meses, representa uma derrota em toda a linha do ex-primeiro ministro e do seu advogado, que tinham recorrido da decisão do Ministério Público em Dezembro do ano passado.

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"Ainda não recebi a notificação da decisão", afirmou em declarações aos jornalistas o advogado Pedro Delille, quando questionado sobre a decisão do juiz de instrução em prolongar a estadia de Sócrates em Évora.

Contudo, segundo noticia o Correio da Manhã, o fax que continha essa mesma informação já foi enviado pelo juiz Carlos Alexandre à prisão de Évora, pelo que Sócrates já deve conhecer a decisão final. O jornal afirma que o ex-primeiro ministro e o seu advogado não foram notificados mais cedo, pois Sócrates na segunda-feira esteve o dia todo em interrogatórios, a responder a acusações de violação do segredo de #Justiça, tendo chegado à prisão numa altura que a secretaria do estabelecimento já se encontrava fechada.

Perigo de fuga, eliminação de provas essenciais à investigação e o manuseamento do seu poder político, social e monetário, estas são as grandes justificações, arranjadas pelo Ministério Público e o juiz de instrução criminal, para manter José Sócrates preso preventivamente durante mais três meses, as mesmas razões que levaram a justiça portuguesa a tomar esta medida de coacção em Novembro.

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Os recursos são esperados; contudo, o juiz do caso, o Dr. Carlos Alexandre, já se mostrou intransigente, querendo resguardar a qualidade da investigação até ao fim.