O fundador do portal de informação secreta Tugaleaks, Rui Cruz, foi detido na manhã desta quinta-feira numa operação desenvolvida pela Polícia Judiciária. A causa da detenção poderá estar relacionada com os vários ataques informáticos de que muitas instituições públicas e privadas têm sido alvo nos últimos tempos em Portugal. Rui Cruz, para além de fundador do site Tugaleaks, é ainda membro dos Anonymous Portugal. Nesta operação estiveram envolvidos mais de 100 profissionais da polícia em todo o país e foram realizadas cerca de 25 buscas nas cidades de Lisboa e do Porto. Foram detidas sete pessoas, incluindo o já referido jornalista. De salientar que os detidos são vistos pela PJ como piratas informáticos.

Vários dos ataques a instituições públicas feitos nos últimos tempos têm sido reivindicados pelo grupo OutsideTheLaw, que faz parte do Anonymous Portugal. Um dos últimos foi feito à Procuradoria-Geral da República, tendo sido divulgados na internet dados pessoais e profissionais de mais de dois mil procuradores. Esta situação foi prontamente divulgada no Tugaleaks, que está registado como um órgão normal de comunicação social no nosso país. De referir ainda que Rui Cruz tem carteira profissional de jornalista.

Numa das várias buscas realizadas, a Polícia Judiciária deslocou-se até à residência de Rui Cruz, que fica no Pinhal Novo e que é igualmente a sede do Tugaleaks. A PJ terá então recolhido vários documentos, bem como computadores e outros acessórios de armazenamento informático.

Para além da detenção de sete pessoas, foram ainda constituídos cerca de 15 arguidos por suspeita de estarem implicados em crimes que fizeram com que a PJ iniciasse esta operação, a que deu o nome de C4RT05 ou Caretos. Uma alusão à máscara utilizadas nos vários vídeos dos Anonymous em todo o mundo. Desta forma, os detidos deverão ser nesta sexta-feira presentes a um juiz de instrução criminal e nessa altura ficarem a saber que medidas de coacção deverão ser aplicadas enquanto decorre o inquérito.

Há ainda que ter em conta que estas buscas acontecem um mês depois de o Ministério Público ter arquivado um processo que data de 2012, por alegada violação de correspondência feita por Rui Cruz.

A PJ informou ainda que esta operação está a ser desenvolvida desde Abril do ano que findou por inspectores da PJ especializados no crime informático e que a breve trecho poderá ter maiores desenvolvimentos. #Justiça