Talvez Pedro Passos Coelho não contasse que o "Bloco de Esquerda" chegasse ao poder na Grécia, no início deste último ano do seu mandato legislativo. Nos últimos dias multiplicam-se os recados de que "Portugal não é a Grécia não é Portugal", por vezes em tom jocoso, como foi o caso dos "contos de crianças". Lisboa mostra-se especialmente empenhada em mostrar-se como o bom aluno da Troika e apresentar resultados. E é neste sentido também que surge a intenção de pagar dívida ao FMI mais cedo que o previsto.


Um dos objectivos deste anúncio é de política externa, dirigida aos mercados financeiros. Num momento em que Portugal, a Europa e o mundo se perguntam o que vai acontecer no "laboratório social" que a Grécia é neste momento, importa ao PSD-PP mostrar que, por cá, a austeridade está a resultar. O governo quer evitar qualquer tipo de "contágio" que venha de Atenas, como sucedeu em 2010 e 2011. 


Na verdade, a experiência do Syriza poderá vir a ser, de uma forma retorcida, sempre favorável a Passos Coelho -  independentemente do resultado. Se o Syriza falhar, Passos Coelho dirá ao eleitorado "eu bem vos avisei que este era o único caminho." Se o Syriza conseguir rever as suas condições, inevitavelmente Portugal terá que conseguir algum tipo de benefício também. (Não é líquido, ao contrário do que se vê em algumas colunas do Diário Económico, que um conjunto de cedências aos vários países da Europa do Sul arraste consigo a desconfiança dos mercados e a queda do euro. Já não estamos em 2010, e hoje muitos preocupam-se com a deflação e a estagnação que já viram no Japão.) Aí, Passos Coelho e Portas estão na linha da frente para capitalizar esses benefícios. Junte-se a isso o petróleo em baixa e o caso Sócrates e estão lançados os dados para uma campanha eleitoral surpreendente, tendo em conta as sondagens.