Um estudo académico conclui que no futuro o território nacional vai registar menos precipitação, embora com mais dias de chuva forte. Quem o diz é o Instituto de Ciências da Universidade de Lisboa, que garante que Portugal, mesmo sendo um país pequeno, possui características climatéricas únicas. Este é o primeiro estudo português a debruçar-se sobre esta temática. Esta investigação refere também que dentro de décadas o Sul vai ter menos 30% de precipitação.

Ao que parece Portugal encontra-se numa zona subtropical denominada por "zona de transição climática", ou seja, é influenciado, por um lado, pelo Oceano Atlântico e, por outro, pelo mar Mediterrâneo.

Publicidade
Publicidade

Isso explica o porquê de termos um dos lugares mais chuvosos do continente europeu (o Minho e o Gerês) e uma das zonas mais secas (região Sudeste). Entre as previsões destaca-se a diminuição de chuva de aproximadamente 15% na região Norte e de 30% na região Sul, sendo que no Verão, em grande parte do território português, poderá atingir os 70%. Simultaneamente estão previstos mais dias de chuvas intensas: no Norte entre 10 a 20% e no Sul entre 20 a 30%.

Estas mudanças climáticas vão provocar sérios problemas às bacias hidrográficas. À excepção do mês de Dezembro, que continuará a ser o mais chuvoso de todos, vai haver uma redução drástica nos níveis da água. Os investigadores mostram-se ainda preocupados com os impactos económicos que isto vai ter em sectores essenciais como a agricultura.

Publicidade

Isto porque ao chover menos, mas de forma mais intensa, leva a que a água não se infiltre tão bem na terra, o que poderá por em causa os campos agrícolas, as florestas e até a sobrevivência de inúmeras espécies. O próximo passo da equipa será precisamente analisar o impacto destas mudanças.

Publicado na revista científica "Climate Dynamics" são comparados os valores referentes ao período de 1971 a 2001, projectando para 2071 e 2100. Há muito que circulam dados a dar conta da diminuição de precipitação nos países mediterrânicos (Portugal, Espanha, Itália e Grécia), todavia este foi o primeiro estudo a falar concretamente do caso português. #Natureza #Ambiente