As declarações proferidas por António Costa há uma semana, na Póvoa de Varzim, que se dirigiam à comunidade chinesa criaram de imediato um debate político. Depois de uma semana de fogo no parlamento, o Partido Socialista já veio a público falar sobre as palavras de Costa. O vice-presidente da bancada socialista, Vieira da Silva, disse aos jornalistas que este debate tem como objetivo "desviar a atenção dos portugueses da identificação dos problemas sérios que existem no país".

Os jornalistas confrontaram Vieira da Silva mais uma vez, ao que o vice-presidente da bancada parlamentar respondeu não estar envolvido em qualquer polémica, tratando-se, sim, de "um ato secundário face à atual situação económica e social". Vieira da Silva acabou por ir mais longe ao dizer que, se há dúvidas sobre a posição do PS, bastou ver António Costa na passada terça-feira, dia 24, numa conferência em Cascais. Nessa conferência, o secretário geral do PS "fez uma extensa e fundamentada intervenção para caraterizar o falhanço das políticas de austeridade", rematou Vieira da Silva. Em declarações à Agência Lusa, uma fonte ligada ao PS disse que "perante o exterior, António Costa recusa-se a falar mal do país, mesmo que não goste deste Governo", rematando com: "PSD e CDS estão a tentar um fait-divers com esse assunto".

De recordar que o evento onde António Costa falou não teve cobertura da Comunicação Social. Porém, as declarações do secretário de estado do PS acabaram por vir a público, em vídeo, através da página de Facebook do eurodeputado Nuno Melo, do CDS/PP. Nesse evento, o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa elogiou bastante a comunidade chinesa: "a verdade é que a relação e a forma extraordinária como a comunidade chinesa se tem integrado na nossa vida quotidiana ajudou certamente muito a que os chineses, a China e os investidores chineses tivessem dado o apoio a Portugal que têm dado nos últimos anos". Foi então que António Costa disse que os investidores chineses "vieram e deram um grande contributo para que Portugal pudesse estar hoje na situação em que está, bastante diferente daquela em que estava há quatro anos atrás".