No final do ano de 2014, o diretor clínico do Hospital de Santa Maria, Miguel Oliveira e Silva, enviou uma comunicação ao Conselho de Administração (CA) do hospital a denunciar irregularidades na aquisição de material clínico. Em causa está a aquisição de material para doenças cardiovasculares, material ortopédico e próteses para o coração, que estão a ser comprados sem ser aberto um caderno de encargos para tal. Oliveira e Silva, que também é presidente do Conselho Nacional de Ética, terá iniciado de forma autónoma uma investigação sobre a aquisição de material clínico dentro do hospital sem conhecimento do CA, que prontamente lhe solicitou essa informação assim que teve conhecimento deste facto.

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Os vários diretores dos serviços clínicos mencionados por Oliveira e Silva já exigiram a abertura de um inquérito para que sejam validados todos os elementos apresentados no relatório, que afirmam ser falso.

Após a receção de um e-mail com todos estes elementos, o CA do Santa Maria respondeu ao diretor clínico com a indicação de que desconhece a aquisição de qualquer tipo de material por parte do hospital que não seja dentro dos âmbitos legais e muito menos através de favorecimentos a empresas específicas. O mau estar gerado dentro do hospital foi geral e os diretores dos vários departamentos visados não compreendem nem aceitam as suspeitas de favorecimento apresentadas, exigindo junto do CA do Santa Maria a abertura de um inquérito. Oliveira e Silva justificou-se com o discurso do ministro Paulo Macedo, em que foi exigido que a compra de material pelos hospitais seja feita de forma transparente e sem qualquer tipo de favorecimento.

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O caso já se encontra na posse da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde e também da Inspeção-Geral das Finanças. Estas entidades têm não só toda a documentação enviada por Oliveira e Silva, como também as justificações de mais de 60 dirigentes do Santa Maria que negam a existência de favorecimentos ou irregularidades na aquisição de material por parte dos seus departamentos.

O mau ambiente já foi transmitido para fora do hospital, pelo que o lugar de Oliveira e Silva pode estar em risco. O CA do Santa Maria não prestou ainda declarações oficiais sobre este assunto.