Ontem, 19 de Março, foi dia de Marques Guedes, ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares, se dirigir ao país e reforçar que a lista VIP nunca foi real. Segundo o ministro, estava a ser desenvolvido apenas um "trabalho sobre a necessidade de mecanismos de alerta". Marques Guedes culpou a Autoridade Tributária por um erro "que não é admissível", mas não deixou de esclarecer: "Não se depreenda erradamente deste infeliz episódio que deixará de haver um qualquer tipo de controlo por parte das autoridades relativamente ao cumprimento do sigilo fiscal, que protege a privacidade e a vida pessoal de cada um dos cidadãos portugueses. Isto terá de ser sempre assegurado, e nunca de uma forma selectiva".

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Depois do Conselho de Ministros de quinta-feira, o ministro falou sobre a mais recente polémica e clarificou alguns pontos. As declarações já proclamadas pelo #Governo sobre a inexistência de uma lista VIP são verdadeiras, mas incompletas. A referida lista de nomes nunca existiu, mas estava a decorrer um estudo sobre a eventual necessidade de existir um sistema de alerta de quebra do sigilo fiscal. Marques Guedes confirmou assim o que já tinha sido garantido pelo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Paulo Núncio, e pelo primeiro-ministro. Acrescentou ainda que o Governo "solicitou informação aos serviços sobre se havia ou não veracidade" na informação divulgada pelos meios de comunicação, tendo obtida a resposta segura "de que não havia uma lista".

O ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares colocou toda a culpa na Autoridade Tributária e Aduaneira e no seu director-geral, Brigas Afonso, que confessou ter começado a desenvolver, sem informar o Governo, um "trabalho (...) sobre a necessidade de mecanismos de alerta" para a detecção de irregularidades.

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"Mais grave do que o director-geral não ter informado o Governo sobre isso, foi ter respondido que não havia veracidade [nas notícias sobre a existência de uma lista VIP]", levando a declarações por parte do Executivo "que não sendo erradas, eram incompletas", afirmou Marques Guedes. Isentando assim Paulo Núncio de qualquer responsabilidade na controvérsia: "toda a informação que o Governo tem não passou pelo crivo do secretário de Estado". Também Passos Coelho confirmou a sua completa confiança no Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais.

Brigas Afonso e o seu número dois, José Maria Pires, já se demitiram dos seus cargos na Autoridade Tributária: demissão que o Governo considera ser a atitude mais correcta. "Houve uma falha que não é admissível no relacionamento" de ambos com a "tutela política", ao terem tomado decisões que não eram da sua competência. Em jeito de conclusão, Marques Guedes deixou ainda a garantia de que o sigilo fiscal tem de existir, mas "nunca poderá passar por um qualquer controlo selectivo, dirigido a determinadas individualidades".