O juiz de instrução do Tribunal de Setúbal anunciou que João Gouveia, o único sobrevivente da tragédia do Meco e ex-dux da Universidade Lusófona, não será julgado pelo crime de exposição ou abandono no caso em que morreram seis jovens universitários na praia do Meco, na madrugada de 15 de Dezembro de 2013.

Nelson Escórcio, o juiz, aceitou a tese de acidente e afirmou não ter visto qualquer indício de crime, já que o grupo de estudantes estava no local voluntariamente e com um planeamento organizado de todas as actividades. O juiz considera que os "jovens foram porque quiseram" e sabiam que "se tratava de uma praxe". "Pode-se concluir, pela troca das mensagens, que (as seis vítimas) gostavam de integrar estes rituais." O juiz salienta, ainda, que "não há nada que diga que o arguido esteve dentro de água.

Publicidade
Publicidade

Mas nada diz o contrário. Há uma versão do arguido. Não há nada que o contrarie", justifica.

A decisão do juiz de instrução do Tribunal de Setúbal, Nélson Escórcio, foi conhecida esta quarta-feira. O caso fica, assim, arquivado, porém existe uma grande possibilidade de as famílias dos seis jovens recorrerem ao Tribunal dos Direitos do Homem, ao Tribunal da relação ou pedir a responsabilidade civil.

O Ministério Público já se pronunciou por duas vezes sobre o caso da tragédia no Meco que matou Carina Sanchez, Joana Barroso, Andreia Revéz, Catarina Soares, Tiago Campos e Pedro Tito Negrão, jovens com idades compreendidas entre os 21 e os 24 anos. Na primeira vez, o processo foi arquivado pois, segundo o relatório da Polícia Judiciária, nada indicava que os seis estudantes tenham sido coagidos a ficar de costas para o mar, que tenham sido amarrados ou sujeitos a qualquer tipo de praxe violenta.

Publicidade

Além disso, as autoridades não conseguiram provar que estivesse mais alguém na praia além dos sete estudantes. O processo foi reaberto a pedido das famílias das vítimas, que não compartilhavam a mesma opinião. Na segunda vez, a magistrada de Setúbal considerou que o antigo dux, João Gouveia, não cometeu nenhum crime e também arquivou o processo. #Justiça