A 4 de Março de 2001, pouco passava das 21 horas quando as televisões noticiavam a tragédia. A ponte Hintze Ribeiro, mais conhecida como a ponte de Entre-os-Rios, que ligava a mesma localidade a Castelo de Paiva, desabou, arrastando consigo um autocarro e três veículos ligeiros. A derrocada do pilar quatro, que desencadeou de seguida o colapso do tabuleiro, tirou a vida a 59 pessoas, oriundas na sua maioria das freguesias de Raiva e de Sardoura. Apesar das buscas intensas que se prolongaram durante os dias seguintes, apenas 23 dessas vítimas puderam ser sepultadas.

Esta tragédia teve também repercussões políticas imediatas.

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O ministro do Equipamento e das Obras Públicas, Jorge Coelho, pediu a demissão logo no dia seguinte, assegurando a sua responsabilidade política pelo sucedido. O próprio ministro, um ano antes, havia visitado esta ponte centenária e dado autorização para que se construísse uma outra na mesma localidade, uma vez que esta já apresentava sinais de degradação.

Decretados dois dias de luto nacional, o #Governo da República criou, de seguida, uma comissão de inquérito que, na altura, apontou a extracção de areias, as cheias e as descargas das barragens, como as principais causas para o acidente. A 8 de Abril de 2001, ao fim de 34 dias, as buscas foram suspensas sendo que 36 corpos nunca mais apareceram.

Em Outubro de 2006, passados mais de cinco anos desde o acidente, os seis arguidos, todos eles engenheiros, quatro da ex - Junta Autónoma de Estradas e dois de uma empresa do Porto, foram absolvidos pelo tribunal de Castelo de Paiva da prática de crime de violação das regras técnicas.

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Depois do acidente, o Governo Português avançou com a construção de uma nova ponte, com o mesmo nome da anterior, tendo sido inaugurada a 4 de Maio de 2002 pelo primeiro-ministro da altura, Durão Barroso. No local do acidente foi ainda construído um anjo de 12 metros de altura no qual estão inscritos todos os nomes das vítimas. Apesar dos inúmeros avisos sobre o mau estado da ponte nada foi feito atempadamente.