Segundo fontes do governo de Lisboa, uma força de 4 caças F-16 e 150 militares dirigir-se-á à Roménia nos meses de Maio e Junho deste ano, com vista a reforçar o efetivo da NATO no Leste da Europa. O facto dá-se num momento em que a região continua tensa, apesar da aparente manutenção do cessar-fogo na Ucrânia. O Exército Russo efetua de momento exercícios militares em grande escala na região do Cáucaso, próximo da fronteira da Geórgia (Moscovo havia anexado parte deste país em 2008), causando também algum nervosismo na Turquia. Há uns dias também havia sido reportado que aeronaves russas estariam a fazer simulações de ataques a navios da NATO na região do Mar Negro.

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Por fim há que relembrar que Kiev, Washington e a NATO haviam referido a presença de milhares de tropas regulares russas do lado dos rebeldes que ocuparam amplas regiões do Leste da Ucrânia, assim como o envio de armamento sofisticado, inclusive enquanto se debatia o processo de paz.

Em resposta às ações do governo de Vladimir Putin, a NATO tem estado a ampliar o efetivo no Leste da Europa, sendo muitos dos países da região já parte integral da Aliança Atlântica, e tendo os mesmos já por várias vezes pedido proteção contra Moscovo. O envio dos caças portugueses faz parte de um processo que também inclui a criação de seis centros de comando no países bálticos, na Bulgária, na Roménia, e na Polónia, estes dois últimos a serem os centros principais. Serão igualmente reforçados com tropas de todos os estados membros.

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Salta à vista o caso dos A-10 colocados na Polónia, uma vez que estes caça-bombardeiros deverão ser desativados até ao final do ano, mas continuam a ser colocados nas linhas da frente, incluindo contra o Estado Islâmico, e são vistos com grande carinho pelas tropas no solo. Também de destacar é a força de reação rápida de 5000 homens preparada para reagir a qualquer momento, e a presença intensificada de caças no programa de policiamento do Báltico. Por fim, convém relembrar o efetivo de bom tamanho colocado na Estónia, e que recentemente participou numa parada que teve lugar literalmente a poucos metros da fronteira russa.

Todo este aparato militar é concebido como uma forma de dissuadir futuras agressões por parte de Moscovo, demonstrando que a NATO irá agir rapidamente e em força contra qualquer provocação. No entanto existem ainda dúvidas em relação ao compromisso da aliança como um todo. Existe o medo de que divisões internas e falta de vontade de sacrificar tropas e posições geoestratégicas num conflito com a Rússia possam diminuir grandemente a coesão caso chegue o momento da verdade.

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Também é verdade que todos estes números são menos impressionantes do que parecem à primeira vista, e que as atuais 67.000 tropas que os Estados Unidos têm no continente são uma mera sombra das 300.000 presentes na época da Guerra Fria.

Em todo o caso, a Força Aérea Portuguesa, bastante respeitada pelos restantes estados membros da NATO não obstante o seu pequeno tamanho, irá fazer a sua parte neste mecanismo de dissuasão, como já fez no passado. Convém ainda referir que militares romenos estão também presentes em Portugal para treino no uso dos F-16, uma vez que Lisboa irá vender 12 destes aparelhos a Bucareste. A missão naquele país também poderá oferecer exemplos práticos do seu uso operacional.