Desta forma, João Gouveia, o único sobrevivente da tragédia da praia do Meco, não vai a julgamento no caso dos seis jovens estudantes da Universidade Lusófona, de Lisboa, que perderam a vida na noite de 15 de Dezembro, em 2013. A decisão foi comunicada ao início desta tarde de quarta-feira, dia 4, pelo juiz de instrução do Tribunal de Setúbal, Nélson Escórcio, que resumiu a leitura da decisão instrutória ao dizer que os jovens "não foram obrigados a nada e, por serem maiores de idade, já saberiam os perigos que contavam".

De acordo com o comunicado difundido pelo tribunal de Setúbal, o arguido João Gouveia não influenciou, de forma alegadamente consciente, os seus colegas, naquela que seria a noite em que viriam a morrer afogados.

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Além disso, o juiz considera que, pelo facto de serem maiores de idade, os jovens já poderiam avaliar, sem qualquer tipo de problemas, todas as consequências dos seus actos e, se possível, evitá-los, também.

Desta forma, a investigação sobre todo este caso foi finalizada com uma deliberação que pede o seu arquivamento. Em nota de defesa é dito que "com a total falta de sinais da prática de crime, não pode haver, em tempo algum, julgamento neste caso". Os pais das vítimas acreditavam que, nesta fase, podia estar em causa o crime de submissão ao perigo ou a um afastamento. Querendo, assim, que a #Justiça fizesse tudo por tudo para se saber o que efectivamente se passou naquela noite fria de Dezembro.

Com esta decisão, o caso fica arquivado. Contudo, o advogado das famílias das vítimas já avisou que o processo irá "manter-se vivo", ao admitir que poderá recorrer para o Tribunal dos Direitos do Homem muito em breve.

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Vítor Parente Ribeiro, o defensor das famílias, já veio a público afirmar que esta decisão "não é surpreendente". "As autoridades estão mais preocupadas em desmontar os que as famílias dizem e não em descobrir o que realmente aconteceu", afirmou. Esta é a segunda-vez que este caso da praia do Meco é arquivado, a primeira aconteceu em Julho de 2014.