A mais recente polémica à volta do nosso primeiro-ministro prende-se com a sua dívida à Segurança Social de cinco anos, que Passos Coelho já pagou entretanto, alegando não o ter feito na altura indicada por desconhecimento das suas obrigações. Hoje o jornal "Público" pode ter piorado ainda mais a situação ao divulgar que são afinal oito anos de dívida. Ao referido jornal, o Instituto da Segurança Social revelou que "relativamente ao período de Julho de 1996 a Outubro de 1999, o contribuinte em questão esteve isento da obrigação de contribuir como trabalhador independente, nos termos legais, por estar abrangido por outro regime obrigatório de protecção social, enquanto deputado da Assembleia da República".

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Sendo que a notícia inicial indicava o ano de 1999 como o ano de princípio da dívida, agora parece que 1996 foi o ano de início.

Estes novos dados não foram ainda confirmados ou comentados pelo gabinete de Passos Coelho, mas a serem verdadeiros não abonam nada a favor do primeiro-ministro. Isto porque a dívida afinal é de oito anos e não cinco. Se o político já foi condenado publicamente por não pagar contribuições durante metade de uma década, o resultado será ainda pior se estivermos a falar no final de contas de quase uma década.

Mas o cenário pior ainda é o de Passos ter mentido em relação ao desconhecimento da dívida. Isto porque a verificar-se que estes três novos anos não estão por pagar, significa que o primeiro-ministro teve de apresentar requerimento a pedir a isenção das suas contribuições, em 1996: sendo que foi 96 o ano em que iniciou actividade como trabalhador independente e "enquanto (...) deputado na Assembleia da República, (...) Passos Coelho tinha o direito de não pagar as contribuições relativas às actividades pagas mediante recibos verdes (...).

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Mas como para ter a referida isenção é necessário apresentar requerimento, cai por terra a sua defesa de desconhecimento das suas responsabilidades. Ou seja, pode ter sido apanhado na mentira.

A haver a dívida, o montante final é de cerca de 8 mil euros (mais juros de mora), mas é uma dívida que já terá prescrito como a divulgada anteriormente. Com outros pormenores técnicos também ainda por confirmar, como o verdadeiro valor da primeira dívida, sendo que os números têm sido discrepantes, parece que veio para ficar a controvérsia que já levou ao nascimento de uma petição a pedir a demissão de Passos Coelho.