Passos Coelho eleva a fasquia e diz que vai "bater-se por uma maioria absoluta" para governar durante mais quatro anos. Refere que este seu desejo não significa que está fascinado pelo poder, mas porque entende que há ainda muito a fazer. Passos Coelho não deixa claro se prefere um governo com Paulo Portas, não pronunciando, durante toda a sua entrevista ao expresso, o nome deste político. O primeiro-ministro português reconhece que o PSD deve procurar que a experiência dos quatro anos de coligação com o CDS possa prosseguir, sendo natural que os dois partidos se entendam nesse sentido. Anuncia que dentro de pouco tempo irá prestar mais esclarecimentos sobre este assunto.

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O primeiro-ministro opta por não afastar qualquer cenário, nem mesmo um Bloco Central. Tal como Cavaco Silva, entende que um governo sem maioria absoluta é incapaz de consolidar reformas e pode ser um perigo. Passos não fecha a porta a um entendimento pós-eleitoral com António Costa, embora recuse fazer cenários e lembre que quem determina as condições para governar é o eleitorado.

Esta entrevista foi feita antes de António Costa ter admitido que passados quatro anos o país está diferente. Sobre o Partido Socialista, Passos repete a metáfora que tinha já usado para a Grécia, diz ser "outro conto para crianças defender que é possível superar uma quase bancarrota a distribuir dinheiro e a expandir o orçamento". O líder do PSD cola Costa aos governos de Sócrates e alega que as soluções do PS são semelhantes às do passado, ou seja, não estão de acordo com a realidade.

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Para Passos Coelho, não é possível uma receita radicalmente diferente com uma economia em que o Estado consome mais de metade da despesa gerada no país. Sobre as próximas escolhas políticas, usa a retórica e pergunta: "Queremos, ou não, voltar a um modelo económico falido?". Passos diz não sentir qualquer desconforto com a grande sintonia entre os governos alemão e português. Garante que nenhum ministro lhe pediu para sair, desdramatiza o mau arranque do ano letivo e os problemas na justiça e assegura que a doença da sua mulher nunca pôs em causa as funções de Primeiro-Ministro.