Muita tinta tem corrido por conta de uma lista VIP de contribuintes alegadamente elaborada pelo Estado português com o objetivo de dar regalias a cidadãos que se destacam na sociedade. A imprensa revela que dentro dessa lista está, por exemplo, José Mourinho, Cristiano Ronaldo, Miguel Relvas e a mãe de José Sócrates.

Paulo Núncio já se desfez em desmentidos e recusa qualquer envolvimento nessa lista mas o sindicato nacional dos impostos garante que foi o Secretário de Estado quem a entregou ao responsável pela Autoridade Tributária. A polémica casou duas demissões e o sindicato quer mais. Paulo Ralha, em declarações à agência Lusa, garantiu que "há responsáveis que não podem continuar em funções".

Publicidade
Publicidade

Apesar de não ter provas de que Paulo Núncio tenha elaborado a lista, o sindicato pede a demissão do Secretário de Estado, quanto mais não seja porque "Paulo Núncio é o responsável dessa área".

Por considerar que "todos os portugueses foram enganados", Paulo Ralha pede que os actos praticados pelos responsáveis pela Autoridade Tributária tenham mais consequências, para além das duas demissões. Recordo que o primeiro a cair foi António Brigas Afonso, director-geral da Autoridade Tributária e Aduaneira, que confirmou estarem a ser preparadas medidas para proteger os dados dos contribuintes "famosos" mas que nunca chegaram a sair do papel. A polémica levantada em torno da questão fez com que o director saísse para "proteger os funcionários" e ainda "por ter criado a percepção de que havia uma lista VIP de contribuintes".

Publicidade

Esta quarta-feira, dia 18, foi a vez do sub-director pedir a demissão, que foi aceite pela Ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque. As razões não foram divulgadas mas o sindicato mostrou-se "surpreendido pela rapidez". Contudo, na opinião de Paulo Ralha "esta demissão tinha que acontecer" porque José Maria Pires foi "crucial para a criação desta bolsa VIP". Os responsáveis pela auditoria interna e pela informática também entram na lista de acusações do sindicato nacional de impostos que entende que "também devem cair".