Apesar de os dinossauros terem uma merecida fama como os senhores dos gigantes pré-históricos, outras criaturas houve que eram igualmente fascinantes. Muito antes de a sua era se iniciar, anfíbios gigantes da ordem Temnospondyli aterrorizavam os veios de água doce. Estes animais eram similares a salamandras, usualmente com uma aparência mais volumosa e membros curtos. O tamanho variava imenso, desde o tamanho de sapos grandes até dimensões que rivalizariam com as dos maiores crocodilos modernos. É possível que não sejam antepassados dos modernos anfíbios, mas sim um grupo paralelo, que existiu entre o início do Carbónico, há 330 milhões de anos, e meados do Cretácico, 100 milhões de anos atrás.

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Os Metopossaurídeos pertenciam a esta ordem e eram uma família de animais de porte relativamente grande, medindo cerca de metro e meio de comprimento, e com os olhos posicionados na frente do focinho, voltados para cima, indicando serem predadores de emboscada, como os crocodilos. Viveram durante o Triássico e o Jurássico, no início da era dos dinossauros, nas áreas que atualmente correspondem à América do Norte, Europa e Norte de África, na época unidas num único imenso continente. A espécie agora encontrada em Loulé, no Algarve, pertencia exatamente a esta família, e seria um predador de grande porte, com cerca de dois metros de comprimento, similar a um crocodilo. Batizado Metoposaurus algarvensis, é o primeiro Metopossaurídeo a ser descoberto na Península Ibérica.

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Como é usual com os animais de água doce deste período e região, os restos do animal foram removidos de um depósito de ossos com cerca de um metro de profundidade. Apesar de se ter outrora pensado que estes amontoados haviam surgido em virtude de enchentes que causaram grande mortandade, agora crê-se que seja apenas o acumular normal de restos mortais arrastados pela corrente, como ainda hoje sucede em veios fluviais. Após se analisarem os ossos do Metoposaurus algarvensis os investigadores da Universidade de Edimburgo responsáveis pela descoberta, liderados por Steve Brusatte, depreenderam tratar-se de uma nova espécie, o que os deixa entusiasmados em relação ao que ainda haverá para descobrir no resto do depósito.

É interessante verificar que o animal apresenta marcas de mordidas, provavelmente feitas por dinossauros predatórios, oferecendo assim sinais da interação entre as diferentes espécies. O Metoposaurus em si, por sua vez, ter-se-ia alimentado de animais menores, como pequenos dinossauros e peixes.