Oliveiros Cristina, o patriarca de uma família de Portimão, inventou há 62 anos um dos licores mais conhecidos do país. Criado com base numa receita tradicional algarvia de Monchique, foi originalmente registado sob a marca "Brandemel", em 1952, passando a ser comercializado com a designação até hoje conhecida: Brandymel. Mas o "néctar", produzido a partir de mel natural "quase sempre de origem nacional", aguardente de medronho, aromatizado com uma mistura secreta de ervas serranas algarvias, considerado património cultural algarvio, deixou cair o nome.

Os seus produtores, por "perda de correspondência", dizem, deixaram caducar o registo original e alguém, sem qualquer ligação aos Cristina, se antecipou e registou a marca para si, há 15 anos.

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A família tentou recuperá-la, recorrendo a um processo judicial, mas até à data sem sucesso. David Cristina, neto do criador, afirma que não tem qualquer intenção de entrar em conflito com o atual detentor da marca. "Apenas queremos continuar a produzir o nosso licor tal como os portugueses conhecem e acarinham, de acordo com a nossa receita de família", sublinha.

Dom Cristina será lançado em breve

Apesar de ter perdido a marca, a família de Portimão continua a produzir o licor e prepara-se para lançar o Dom Cristina em Setembro. O mesmo sabor, a mesma garrafa; a única coisa que muda é o nome, em homenagem ao seu criador. No entanto, o licor continua à venda. "Se hoje for comprar o nosso licor vai encontrar a mesma garrafa, com o mesmo aspeto e com o mesmo licor, mas sem nome", acrescenta.

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Diz tratar-se de uma estratégia de comunicação, cujo objetivo é transmitir aos clientes e consumidores a história do licor e garantir que a receita desta bebida espirituosa de raízes algarvias não se perca. "Gostaríamos muito que, sempre que alguém pegar numa garrafa do nosso licor e reparar na ausência de nome, se lembre da nossa história e a conte aos seus amigos e familiares".

Produção passa para Castelo Branco, em Portimão nasce museu

David Cristina e os irmãos, Rodrigo e Oliveiros, decidiram avançar com um novo projeto empresarial construído de raiz, que terá a sua sede em Castelo Branco. "Gostaríamos de localizar as nossas instalações num ambiente manifestamente industrial, que nos permita crescer", justifica. Por outro lado, para as instalações no centro de Portimão está prevista a abertura de um museu, ainda sem data prevista. No entanto, o regresso da produção ao Algarve não está colocado de parte.

David acrescenta que tem grandes planos e que irá trabalhar para continuar a ganhar prémios internacionais (é detentor de quatro medalhas de ouro conquistadas nos EUA, Áustria, Londres) e colocar o licor algarvio entre os melhores do mundo. #Negócios