Não obstante a crise, a modernização das forças armadas nacionais continua a revestir-se de uma certa importância, não apenas devido aos compromissos, como devido à obsolescência de diversos dos meios atualmente disponíveis. A compra do navio de apoio francês Siroco inclui-se nesse contexto, sobretudo porque a unidade atualmente ao serviço da Marinha Portuguesa, o Bérrio, está no final da sua vida útil. O valor de 80 milhões de euros pedido por Paris é considerado apelativo, apesar de se estimarem custos adicionais de 40 milhões para a modernização do navio, já com 15 anos de serviço em França. Infelizmente, a compra implicaria que os projetos para a modernização de 5 fragatas teriam de ser diminuídos para incluir apenas 2 unidades da classe Vasco da Gama.

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Apesar da referida necessidade de adquirir o Siroco, o #Governo português tem até ao momento adiado a tomada de uma decisão final. Não obstante o valor ostensivamente baixo, poderá ainda assim ser demasiado para os cofres nacionais, e a verba final não foi ainda decidida. Entretanto, outros possíveis compradores já se afirmaram interessados. Um dos mais antigos competidores nesta questão é o Brasil. No entanto, também Brasília se tem abstido de uma decisão final em relação ao assunto.

Agora também o Chile manifestou interesse no navio de apoio francês. Porta-vozes da Marinha Chilena assumiram que o navio poderia trazer novas capacidades, inclusive no campo da ajuda humanitária. Convém ter em conta que Santiago tem vindo a levar a cabo uma drástica modernização das suas forças armadas há já vários anos, pelo que propostas destas não serão, de todo, irrealistas.

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É interessante verificar que as potencialidades do Siroco em missões humanitárias e a adição de novas capacidades em comparação com os meios atualmente disponíveis são também subscritas pela Marinha Portuguesa.

O navio será desativado na Marinha Francesa no próximo mês, e Paris já declarou que quaisquer interessados terão de tomar uma decisão até Setembro, altura em que o pretende entregar ao próximo dono, pelo que a janela de oportunidade é relativamente curta. O Ministro da Defesa José Pedro Aguiar-Branco acusou o PS de colocar em causa decisões de natureza militar devido à sua abstenção na votação da Lei da Programação Militar. A verdade, contudo, é que decisões desta ordem requerem consenso e celeridade.

Entretanto, numa outra frente das relações luso-brasileiras, o Vice-Primeiro Ministro Paulo Portas declarou que a construtora aeronáutica Embraer estaria a preparar-se para investimentos mais amplos em Portugal. Tenha-se em conta que a empresa possui duas fábricas em Évora, que produzem, entre outras, peças para o avião de transporte KC-390, do qual se espera que Lisboa adquira 6 unidades para substituir os C-130 atualmente ao serviço da Força Aérea.

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Já França tem problemas de maior na questão do poder naval, com dois navios de assalto avaliados em 1,5 mil milhões de euros parados nas suas docas, uma vez que a crise ucraniana impossibilitou a sua entrega ao respetivo dono: Moscovo. Esta realidade custa 5 milhões de euros por mês aos contribuintes franceses, e teme-se que o cliente possa ainda multar o estado francês pelos atrasos na entrega.