Está novamente aberta a época de captura da sardinha, depois do chamado defeso biológico de seis meses, e esta quarta-feira, 8 de Abril, os pescadores da zona Norte pareceram regressar à costa desiludidos, segundo a maioria das publicações noticiosas. Em causa está a qualidade da sardinha pescada, ainda magra e, por isso, aquém do seu potencial de mercado, mas também as quotas impostas à pesca deste produto nacional.

Devido a essas limitações, os pescadores de Peniche e da Figueira da Foz vão esperar por Maio para poderem capturar a sardinha em todo o seu potencial sem ultrapassar a quota, uma vez que só hoje atingiram 5% das 13 500 toneladas permitidas em todo o país para o ano de 2015.

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Ainda assim, os preços praticados em 2014 podem não estar agora garantidos para o consumidor com a mesma frequência de anos anteriores, mas a estarem, quem perde são os pescadores, já que terão de diminuir a sua margem de lucro.

"É muito pouco em comparação com igual período em anos anteriores. Dá para pagar as despesas e nem para lá caminha. Do que me lembro, este é dos piores anos e estamos parados sem apanhar sardinha há seis meses", contou um pescador, citado pelo Notícias ao Minuto. Declarações a outros jornais davam conta de que é provável que este não seja um ano de todo lucrativo para os pescadores portugueses e que há aparentemente uma grande abundância de sardinhas, o que não justifica as quotas existentes.

Ainda assim, não passou um ano desde que a pescaria de cerco portuguesa perdeu a certificação de sustentabilidade atribuída por um conselho internacional, após uma auditoria ter alertado para o baixo índice de recuperação da sardinha e apontado como solução a imposição de quotas.

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Estudos ainda estão a ser feitos no sentido de aferir a qualidade da reprodução do peixe, mas a julgar pelas notícias vindas do outro lado do oceano Atlântico, poderemos estar prestes a testemunhar um declínio preocupante.

Choque em cadeia

Desde 2007, o número de sardinhas no oceano Pacífico sofreu uma redução na ordem dos 90%. Segundo o concelho norte-americano de pescadores (Pacific Fishery Management Council), limites poderão ser impostos para regular a pesca de sardinha, já que os efeitos do declínio deste peixe estão também a fazer-se sentir noutros animais. Tal como um choque em cadeia, milhares de leões-marinhos têm dado à costa no sul da Califórnia em estado de subnutrição. Além deste animal, conhecido caçador de sardinhas, pelicanos e outras aves que consomem peixes estão também a sofrer efeitos nocivos com a escassez de sardinha. Por esse motivo, também os pescadores norte-americanos estão preocupados, por questões financeiras.

Segundo especialistas, não é apenas a pesca excessiva que está a pôr em causa esta e outras espécies de peixe, como o atum.

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Também as alterações climáticas estão a mudar os comportamentos dos animais marítimos e a fazê-los emigrar para outras regiões, por exemplo. Depois das abelhas e do chocolate, muitos têm sido os sinais de que medidas têm de ser tomadas para preservar o ecossistema terrestre como hoje o conhecemos. #Ambiente