Em Dezembro de 2013, seis estudantes da Universidade Lusófona morreram afogados, ao serem arrastados por uma onda na praia do Meco, para onde se tinham dirigido na companhia de um outro colega, João Gouveia. Todos faziam parte da Comissão Oficial de Praxes Académicas da Universidade Lusófona (COPA). João Gouveia era o líder da COPA e foi também o único sobrevivente do grupo de sete pessoas que estava na praia. Os pais das vítimas consideraram que não se tratou de um acidente e decidiram ir para tribunal, acusando João Gouveia de ser responsável pelo trágico acontecimento. Depois de o processo já ter sido arquivado duas vezes, entregaram agora um novo recurso.

Publicidade
Publicidade

As famílias dos seis estudantes entregaram um derradeiro recurso no Tribunal da Relação de Évora, solicitando a nulidade do arquivamento decidido pelo Tribunal de Setúbal no mês passado. Esta é a última hipótese que os requerentes têm de pedir recurso; os pais das vítimas apontam agora ligações da Universidade Lusófona à maçonaria, mas também referem "os cursos obtidos por vários elementos partidários em condições menos claras" e o facto de o filho do Procurador responsável pelo processo no Tribunal de Almada ser estudante de mestrado na Lusófona quando o pai investigava o caso.

As circunstâncias que levaram às mortes e que foram invocadas em tribunal culminaram em dois arquivamentos do processo. No entanto, o que os pais das vítimas agora alegam, é que a decisão do Tribunal de Setúbal foi baseada em prova proibida, ou seja, o tribunal teve em consideração as declarações de João Gouveia prestadas em fase de inquérito, quando era ainda testemunha.

Publicidade

durante a fase de instrução do processo, o dux não falou e foi autorizado pelo juíz a não comparecer em tribunal.

O juíz de instrução também não terá tido em consideração objectos que os estudantes levaram naquela noite para a praia e que indiciam a realização de praxe académica. O recurso sugere ainda que foi a posição hierárquica do dux, bem como as suas decisões, que explicam o facto de os seis jovens estarem de costas voltadas para o mar.

O Ministério Público e João Gouveia têm agora 30 dias para responder. Depois deste prazo, o Tribunal da Relação de Évora terá de decidir se mantém o caso arquivado ou se reabre o processo. #Justiça