Os piloto da TAP não recuam e dizem que a greve de dez dias, entre os dias 1 e 10 de maio, é para avançar. Num comunicado enviado à Agência Lusa, o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil esclarece que a paralisação se deve à falhas e incumprimentos do Governo e da TAP para com os pilotos. Os pilotos dizem que vão continuar serenos, esperando que o "bom senso" das entidades responsáveis prevaleça. Para além dos pilotos da TAP, os da Portugália também já revelaram que se vão juntar à greve.

O debate quinzenal desta sexta-feira serviu para aumentar a tensão vivida entre o Governo e os pilotos da TAP, depois de o Primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, ter afirmado que a única solução era os trabalhadores cancelarem a greve porque se não o fizerem o resultado pode ser ficarem sem trabalho. Neste sentido, o sindicato decidiu então apelar ao "bom senso" da coligação nesta matéria, uma vez, que o acordo estabelecido anteriormente entre a transportadora e os pilotos não está a ser cumprido.

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O Governo teme que a paralisação possa prejudicar de uma forma irremediável o processo de privatização em curso, fazendo com que o valor da companhia desça. No debate quinzenal, Passos Coelho afirmou que a paralisação não faz sentido, realçando que o Governo está a cumprir com a sua parte no acordo. O Primeiro-ministro alertou para as consequências afirmando que a companhia vai ficar uma "miniatura que não serve os interesses do país".

Num outro ponto há quem já esteja a fazer as contas e estime que a paralisação dos pilotos entre os dias 1 e 10 de maio resulte num prejuízo de 70 milhões de euros e na consequente quebra de confiança e popularidade da transportadora aérea junto dos clientes, bem como junto dos candidatos à privatização. Num comunicado no Facebook oficial, a TAP revela que fará todos os esforços para encontrar soluções, possibilitando "desde já aos passageiros com reservas válidas nos voos programados para os dias da greve a transferência para outros voos da companhia a realizar em datas fora do período de greve".

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Os pilotos alegam que os acordos não estão a ser cumpridos e a crispação entre Governo, TAP e Sindicato tem vindo a subir de tom. Os dez dias de greve têm como intuito tentar parar o processo de privatização, mas o Estado já revelou que a venda da TAP é para avançar. Teme-se que muitos turistas desistam de vir a Portugal neste período e as instituições ligadas ao turismo receiam os prejuízos para o setor, que tem sido um dos motores para a recuperação económica do país.