Desta vez o protesto dos indignados e enganados do papel comercial do Grupo Espírito Santo chegou, hoje, 23 de Abril, à cidade de Pombal, no distrito de Leiria. A acção de luta foi anunciada com um formato diferente, como forma de pesar, por um dos lesados, falecido recentemente, mas acabou com os protestantes de megafone em punho a fazerem entoar gritos de revolta. O cenário principal foi a agência do Novo Banco, mas a revolta daqueles clientes chegou, também, à outra dependência da mesma instituição bancária e às ruas da cidade.

Chegaram a Pombal vindos de vários pontos do país, em especial da zona Norte. Foram-se juntando e quando começaram a colocar velas acesas e flores à porta da agência, já a porta estava fechada ao público. As paredes foram transformadas num mural de protesto com o afixar de vários cartazes, onde a palavra luto era a mais lida. Isto porque os lesados do papel comercial do GES pretendiam prestar homenagem a um dos seus companheiros de luta. Um homem, residente na região de Pombal, que, segundo alguns dos lesados, "entrou em depressão profunda" tendo acabado por morrer no passado domingo.

"Uma pessoa com cerca de 70 anos que, quando a troika chegou a Portugal, levantou todas as suas poupanças que estavam depositadas no banco e guardou-as em casa. Mas a gestora de conta foi insistente e convenceu-o a aplicar o dinheiro na compra de papel comercial", contou um dos lesados, adiantando que o homem, que já sofria de problemas de saúde, "ficou mais debilitado e acabou por morrer".

À semelhança do que tem acontecido em diversas localidades do país, aqueles indignados e revoltados do papel comercial do GES pretendem, somente, serem reembolsados pelo dinheiro que investiram aos balcões do antigo Banco Espírito Santo. As suas críticas são dirigidas ao Governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, e ao presidente do Novo Banco, Stock da Cunha. Mas os elogios vão para o presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, Carlos Tavares, que lhes tem dado razão.

Depois de terem cumprido um minuto de silêncio à frente da agência do Banco Novo, os lesados, na sua maioria vestidos de preto e com cartazes no ar, dirigiram-se para uma outra agência na mesma cidade. Ali, o cenário foi igualmente de protesto. Afixaram cartazes, pintaram paredes e proferiram gritos de revolta. Depois de uma marcha pelo centro da cidade, regressaram ao ponto de partida e, já mais ruidosos, com megafone em punho, fizeram ouvir a sua revolta por toda a situação provocada pelo colapso do Banco Espírito Santo. #Bancos