O jornalista Tolentino de Nóbrega faleceu, hoje, 7 de Abril, com 63 anos de idade, vítima de cancro. A doença prolongada impossibilitou-o de participar na cobertura das últimas eleições na Madeira, que decorreram no mês passado. O jornalista terá uma missa às 13h30 na Igreja de São Martinho e o funeral vai ter lugar às 15h00 de quarta-feira na sua terra, Machico, no Funchal.

Tolentino de Nóbrega tinha 63 anos e 40 anos de jornalismo e nunca deixou a Madeira (sua terra natal), que o próprio descrevia como "terra maravilhosa". Na sua carreira foi ameaçado várias vezes, mas nunca receou denunciar nada, por isso era conhecido como "jornalista sem medo". A sua amiga e colega Lídia Bernardes afirma, ao relembrá-lo, que sem Tolentino "o jornalismo da Madeira não faz sentido". Licenciou-se na Escola de Artes Plásticas da Madeira e ao longo da sua carreira deu aulas de Geometria Descritiva numa escola secundária no Funchal.

Vicente Jorge Silva, fundador do jornal Público, lembra Tolentino de Nóbrega como "grande amigo, com quem mantinha uma grande proximidade e cumplicidade". Ambos trabalharam no Comércio do Funchal, jornal que funcionava como um jornal de resistência à ditadura "cheio de limitações da época". Tolentino ajudava na paginação, porque tinha formação em artes, investigava e escrevia.

Segundo colegas, Tolentino sofreu bastante ao longo do que chamam "período Jardinista". Era "como um herói resistente" e apontam que já no mês passado foi uma grande perda que a doença impossibilitasse Tolentino de fazer a cobertura das primeiras eleições sem Alberto João Jardim.

Tolentino de Nóbrega era considerado um jornalista resistente, com uma energia inesgotável, que nunca se deixou amedrontar, com grande capacidade de resiliência, mas também com grande sentido de humor nas suas crónicas, que durante anos retrataram a Madeira. Nunca desistiu de levar a informação "a mais verdadeira e rigorosa possível" aos leitores, mesmo sabendo, segundo os colegas mais próximos, que se encontrava sempre "debaixo de um profundo escrutínio".