Depois de algumas horas de Assembleia Geral, os Pilotos da Portugália votaram positivamente e concluíram que se vão juntar à greve que a TAP convocou, do dia 1 de maio a 10 do mês mesmo. Os pilotos da Portugália, que se reuniram esta tarde, dizem que estão à espera há muito tempo que se cumpra o prometido. A paralisação está marcada para duas semanas antes da apresentação de investidores privados que pretendem comprar 66% da empresa.

A paralisação já afastou eventuais investidores interessados na compra da empresa, nomeadamente a Air Europa, companhia aérea detida pelo grupo espanhol Globalia. Fernando Pinto, Presidente da TAP, já disse que se a venda da empresa não acontecer vai ser necessário iniciar um processo de reestruturação, o que vai implicar despedimentos.

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O presidente da companhia aérea estima que esta greve origine um prejuízo de 70 milhões de euros à TAP. Em entrevista à RTP, diz que os sindicatos de aviação não têm motivos para esta greve porque as conversações estavam a ir bem dos dois lados e estavam a conseguir negociar condições justas para ambas as partes. No entanto, segundo Fernando Pinto, o sindicato estaria a fazer um pedido impensável: serem detentores de uma parte muito significativa da empresa.

Uma greve que não é normal, segundo Fernando Pinto

Fernando Pinto sabe que as greves "fazem parte do dia-a-dia da vida das empresas, mas as greves sem motivos não são normais". Diz que não há uma base verdadeira que mova os pilotos e os sindicatos a tomar esta posição e assume que a empresa, depois de 10 dias de greve, "não será a mesma".

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Na sua perspectiva, a TAP vai ter que ser reestruturada, após a perda destes milhões de euros que a greve vai causar, e, segundo o presidente, vai ter que ser revista a dimensão da empresa, algo que poderá levar, eventualmente, a uma diminuição das rotas e, muito provavelmente, terá que haver despedimentos. Fernando Pinto sabe que não vai demover a greve, mas acha importante pelo menos "minimizá-la" e espera que os seus pilotos percebam isso.

O actual Ministro da Economia de Portugal, António Pires de Lima, afirma que o #Governo não está disponível a abrir uma negociação "que foi acordada, deixada a escrito e assinada por 9 sindicatos e pela Gerência da TAP, no passado Dezembro", disse em entrevista à RTP. Pires de Lima diz que esta greve é uma tentativa clara dos pilotos da empresa bloquearem a privatização da TAP. Usa a palavra "ameaça" para qualificar a decisão tomada em Assembleia Geral e diz que serve para tentar manter a empresa estatal. #Negócios