O Programa das Nações Unidas VIH/sida (ONUSIDA) prevê que Portugal terá entre 0,6 a 0,7% da população infectada, o que significa que 65 a 70 mil pessoas vivem com a doença em Portugal. António Diniz, director do programa nacional para Infecção VIH/sida, em declarações ao PÚBLICO, adiantou que cerca de 25 mil pessoas em Portugal podem estar infectadas pelo vírus sem saberem.

O vírus da imunodeficiência adquirida (VIH) foi isolado pela primeira vez em 1985, sendo o agente causal do Síndrome de Imunodeficiência adquirida (SIDA). SIDA é a expressão clínica do final da infecção pelo VIH, e caracteriza-se pela destruição das defesas imunitárias do organismo, e por uma série de manifestações neurológicas e tumorais.

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São conhecidos dois tipos de VIH, sendo o VIH-1 o mais comum em Portugal e no mundo ocidental.

A erradicação da infecção pelo VIH pela terapêutica antirretroviral ainda não é atingida, no entanto, existe um número crescente de fármacos que reduzem a mortalidade e morbilidade associadas ao VIH. Iniciando terapêutica dirigida para estes doentes, pretende-se provocar supressão da carga viral, reduzir as morbilidades associadas ao VIH, aumentar a qualidade de vida dos doentes infectados, restaurar a sua função imunológica do doente, e prevenir a transmissão de VIH.

Para reduzir o risco de infecção entre consumidores de droga por via injectável, o programa de troca gratuita de seringas regressou às farmácias, na sequência de um protocolo assinado entre o Ministério da Saúde e a Associação Nacional das Farmácias.

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Nas farmácias, há assim a oportunidade de o consumidor de droga entregar uma seringa usada e receber uma nova, evitando a troca de seringas entre consumidores, e prevenindo a transmissão do contágio por VIH. Os kits disponibilizados na farmácia incluem, além das seringas, um preservativo, ácido cítrico para desinfecção e água destilada.

O problema da taxa de notificação baixa dos casos de VIH é comum a muitos outros países da Europa. António Diniz, em declarações ao PÚBLICO, afirma que Portugal se destaca pela negativa por continuar a ter diagnósticos muito tardios . O número de pessoas infectadas, mas não diagnosticadas em Portugal, é preocupante, e, por isso, um dos objectivos da ONUSIDA para o nosso país é que até 2020, 90% das pessoas infectadas conheçam o seu diagnóstico.

Os testes rápidos de detecção do VIH poderão ser feitos em centros de saúde, e nos Centros de Aconselhamento e Detecção Precoce do VIH (CAD). Os testes rápidos dão resultados fiáveis em menos de uma hora. Mas, independentemente do tipo de teste, só depois dos três meses após a situação de risco é que a infecção pode ser detectada com certeza. As análises de rotina pedidas pelos médicos vão passar a incluir testes à infecção VIH.