Foi aprovado poucos dias depois da morte de Salgueiro Maia, em Abril de 1992, mas o voto de pesar aprovado, por unanimidade, na Assembleia Municipal de Pombal, no distrito de Leiria, nunca chegou a ser entregue à sua viúva, Natércia Maia. A intenção foi hoje cumprida, 23 anos depois, durante uma evocação ao Capitão de Abril promovida em Pombal. Esta é uma cidade onde Salgueiro Maia viveu parte da sua juventude e onde deixou amigos, como o então presidente da Assembleia Municipal, António Rocha Quaresma que, finalmente, concretizou a entrega do documento.

O voto de pesar foi aprovado, por unanimidade, pela Assembleia Municipal de Pombal realizada poucos dias depois de Fernando Salgueiro Maia ter morrido, vítima de cancro, em Abril de 1992. Na ocasião, António Rocha Quaresma, eleito pelo Partido Socialista, presidia ao órgão autárquico, que viria a ser conquistado, alguns meses depois, pelo Partido Social Democrata, partido que ainda agora detém o poder no concelho.

"Vicissitudes várias", como diz o actual presidente da Câmara, Diogo Mateus, impediram que o documento, redigido manualmente em letra gótica por Augusto Oliveira (já falecido), chegasse às mãos da viúva de Salgueiro Maia.

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Contudo, a missão está agora cumprida. António Rocha Quaresma não conseguiu suster a sua emoção ao entregar o documento a Natércia Maia, a quem pediu desculpa pelo atraso na entrega do texto do voto de pesar. Um documento que ele, enquanto presidente da Assembleia Municipal, queria entregar pessoalmente, mas durante 23 anos não conseguiu fazê-lo.

Apesar de ter nascido em Castelo de Vide, aquele que se tornou conhecido como um dos distintos capitães que liderou as forças revolucionárias durante a Revolução dos Cravos, que marcou o final da ditadura em Portugal, viveu parte da sua juventude em Pombal.

O seu pai chefiava a Estação de caminho-de-ferro daquela cidade e fez com que o "jovem de cabelo à escovinha" fizesse amigos na terra onde passou os tempos de juventude, estudou e onde teve os primeiros "namoricos".

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Na madrugada de 25 de Abril de 1974, já como capitão do Exército Português, Salgueiro Maia comandou o "punhado de militares corajosos" que partiu da Escola Prática de Cavalaria, de Santarém, em direcção a Lisboa para forçarem a queda da ditadura.

Pombal prestou homenagem a Salgueiro Maia, primeiro com a atribuição do seu nome ao largo fronteiriço à estação ferroviária e, anos mais tarde, em 2006, com a implementação de um busto, em bronze, oferecido ao município pelo escultor José Núncio. Na ocasião, o artista considerou o busto como "um puro e simples capricho afectivo de uma homenagem póstuma a um camarada de armas de invulgar e ímpar estatuto moral". #História #Personalidades