A 11 de Agosto de 2008, Hugo Ernano, elemento da Guarda Nacional Republicana, estava de serviço com um colega, quando se preparavam para recolher um outro guarda que estava a fazer serviço de rua. Foi então que lhes chegou a informação acerca de um assalto a uma vacaria, em Santo Antão do Tojal, no concelho de Loures. Os três guardas dirigiram-se para o local, estando Hugo Ernano no lugar de pendura. Os assaltantes acabaram por fugir numa carrinha, a qual foi então perseguida pelos elementos da GNR, depois de uma tentativa de mandar a mesma parar.

Aquando da perseguição, Hugo Ernano não sabia que o rapaz de 13 anos, filho de um dos dois assaltantes, também se encontrava na viatura.

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Apesar da péssima visibilidade que era possível ter para dentro da carrinha em fuga, foi identificado um objeto que seria uma arma de fogo, nas mãos de um dos fugitivos. A carrinha encontrava-se a chegar a um largo, onde se encontra a "Casa do Gaiato" e onde as crianças costumam brincar no exterior. O GNR disparou sobre as rodas do veículo, de forma a travá-lo e alguns dos disparos acabaram por ser um pouco mais acima do que esperado, atingido a parte traseira da viatura. Neste momento, a carrinha parou e saíram dela os três ocupantes, sendo um deles Sandro Lourenço, fugido há 8 anos da prisão de Alcoentre e pai de Paulo Jorge que acabou por falecer, já no hospital.

Hugo Ernano acabou por ser condenado a 9 anos de prisão efetiva e a pagar uma indemnização de 80 mil euros aos familiares da vítima (20 mil dos quais ao pai da vítima, assaltante em fuga).

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O acontecimento foi inicialmente julgado como homicídio qualificado, passando depois para homicídio por negligência e ainda para homicídio com dolo eventual. Este dolo pressupõe que o autor, mesmo não tendo a consciência e intenção de matar, estava obrigado a prever que o seu comportamento teria como resultado a ocorrência da morte de alguém que não o pretendido assaltante. Depois de vários desenvolvimentos neste processo, em 2014, Hugo Ernano passou a ter pena suspensa de 4 anos de prisão, continuando a ter de pagar uma indemnização de 55 mil euros (11 mil euros) a Sandro Lourenço.

O militar está atualmente a receber ameaças anónimas. As mesmas referem-se a um valor de 30 mil euros para quem entregar ou matar este elemento da GNR. A identidade do responsável por estas ameaças continua por descobrir. Esta situação levou à criação de uma página no Facebook onde se pode ler a seguinte mensagem: "Hugo Ernano precisa urgentemente que #Justiça seja feita e que os verdadeiros criminosos sejam condenados e não andem por aí a ameaçá-lo de morte. Quem anda a fazer isto é certamente alguém que sabe que ele realmente não teve culpa na morte do menor (…). Se havia motivos para ajudarmos este militar da GNR aqui temos mais um...salvar o Hugo Ernano de injustiças e de ameaças!" #Crime