Ana Saltão, a inspectora da Polícia Judiciária (PJ) acusada de ter matado a avó do marido a tiro, foi condenada a 17 anos de prisão pelo Tribunal da Relação de Coimbra. A pena surge depois de, a 8 de Setembro de 2014, a arguida ter sido absolvida por um tribunal de júri constituído para o efeito. A decisão do Tribunal da Relação em mandar Ana Saltão para a prisão, conhecida hoje, surpreendeu a advogada de defesa, que já anunciou que iria apresentar recurso ao Supremo Tribunal de #Justiça. O #Crime remonta a 21 de Novembro de 2012, quando Filomena Gonçalves, de 80 anos, foi encontrada morta na sua residência, tendo sido alvejada com 14 tiros.

Estupefacta foi como diz ter ficado Mónica Quintela, a advogada de defesa da inspectora da Polícia Judiciária, ao tomar conhecimento da decisão do Tribunal da Relação, apesar de não ter tido, ainda, acesso ao respectivo acórdão. A advogada admitia que aquele tribunal pudesse pedir a repetição do julgamento, mas não por aplicar uma pena de prisão. Até porque afirma conhecer bem o processo e "nada pode permitir uma condenação", sublinha a advogada.

A inspectora da Polícia Judiciária do Porto, com cerca de 40 anos, foi julgada por um tribunal de júri como sendo a autora dos 14 disparos que mataram Filomena Gonçalves, avó do seu marido, também ele inspector da Judiciária. Aquando da decisão que levou à absolvição da arguida, o presidente do colectivo de juízes considerou que "é mínima a probabilidade" de aquela ter cometido os crimes que constavam da acusação do Ministério Público. Ou seja, crime de homicídio qualificado e peculato, este último pelo alegado uso de arma de serviço para cometer o crime. O colectivo entendeu, também, que não ficaram esclarecidos todos os aspectos e por isso ficaram sem resposta, apontando o dedo a alguns erros na obtenção da prova por parte dos investigadores.

De referir que na sequência daquela absolvição, Ana Saltão interpôs um processo judicial contra três participantes do programa da SIC "Querida Júlia", por publicidade e calúnia. Designadamente, a apresentadora Júlia Pinheiro, o comentador Hernâni Carvalho e o antigo inspector da Polícia Judiciária Carlos Anjos. Em causa estarão afirmações proferidas por aqueles numa rubrica de análise criminal inserida naquele programa das manhãs acerca do caso que envolve a inspectora da Polícia Judiciária.