A funcionar em pleno há cerca de dois anos, os esgotos de Mouriscas, freguesia do concelho de Abrantes, estão a provocar o descontentamento de muitos habitantes, devido ao mau cheiro frequente no centro da aldeia. O caso é reportado frequentemente pelos comerciantes, habitantes e até pelos eleitos da Junta de Freguesia. Estes maus cheiros surgiram aquando a implementação do saneamento, ou seja, quando a Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) começou a funcionar. A freguesia de Mouriscas, sendo muito extensa e com povoado muito disperso, foi uma das últimas a receber os esgotos.

Depois de anos de espera, a obra avançou mas “mal planeada”, diz a presidente da Junta de Freguesia, Maria Teresa Dinis.

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E esta opinião é suportada pelos habitantes nos cafés da terra, que não entendem como é que uma freguesia que tem declive para o rio Tejo, o que permitiria a circulação normal dos esgotos através da gravidade, tem uma ETAR a meio. Por isso, os esgotos de metade da freguesia têm de ser bombeados de um poço de armazenamento para a ETAR numa distância de cerca de três quilómetros.

“Quando os resíduos são bombeados, atravessando aquela parte da freguesia, causam cheiros horríveis dentro da farmácia, dentro do talho, nos cafés e na própria junta de freguesia”, explicou a autarca à agência Lusa. Apesar da situação se verificar há vários meses sem qualquer esboço de resolução do problema, a CDU apresentou uma moção em Assembleia de Freguesia, a 24 de abril, que foi aprovada. O coordenador concelhio da força política, Rui Cruz, destacou ainda que foi decidido apresentar uma moção no sentido de responsabilizar “os Serviços Municipalizados (SMA) e a Câmara Municipal de Abrantes (CMA) por eventuais danos que a acumulação de gases possa vir a causar em termos de saúde pública e perigo de intoxicação e de explosão”.

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O presidente dos Serviços Municipalizados de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, diz já ter tido conhecimento da situação e, para além de se ter mostrado preocupado, adiantou que a empresa que gere as redes de esgotos no concelho, a Abrantáqua, já estará a estudar uma estratégia que permita solucionar ou atenuar o problema.

Independentemente das soluções que possam ser preconizadas, a população, ou grande parte dela, continua a não perceber a localização da ETAR, num dos pontos de maior altitude da freguesia. Dizem os habitantes que se poupariam "dinheiro e chatices" e questionam: “se as bombas avariam, o poço enche e os esgotos passam a correr na estrada?” Dúvidas que, muito possivelmente, ninguém conseguiu ainda esclarecer, a fazer fé pelas declarações da presidente da Junta de Freguesia que vão no mesmo sentido. #Ambiente