O Acordo Ortográfico (AO) de 1990 está longe de gerar consenso em Portugal. Contudo, a partir de hoje, 13 de maio, passa a ser obrigatória a sua aplicação, após um período de transição de 6 anos que começou quando este entrou em vigor a 13 de maio de 2009. De recordar que o AO foi aprovado em 2008 em Conselho de Ministros.

Ao longo do século XX, muitas foram as tentativas de unificar e simplificar a Língua Portuguesa falada nos países que foram antigas colónias portuguesas - Brasil, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste - tentando criar um conjunto comum de regras relativas à língua falada e escrita, unindo a ortografia do português de Portugal e do Brasil.

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À exceção de Angola, que ainda não fez qualquer ratificação ao AO, e de Moçambique, cujo Conselho de Ministros já o aprovou, faltando apenas a ratificação por parte do parlamento, os restantes países lusófonos já o aprovaram.

Contudo, nos últimos meses, com a aproximação desta obrigatoriedade, muitos vozes se insurgiram, nomeadamente figuras públicas, contra aquilo que consideram ser um atentado à Língua Portuguesa. Miguel Sousa Tavares ainda há duas semanas, na sua análise semanal no Jornal da Noite do canal privado SIC, mostrou-se, uma vez mais, contra a aplicação do AO. Já Rui Moreira, presidente da Câmara Municipal do Porto, a 15 de março deste ano, na sua coluna de opinião no Jornal Correio da Manhã, dava conta da sua "irritação" ao constatar que os seus textos, ao passar pelo crivo da revisão, eram publicados com a adoção do AO.

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Também o vocalista dos Blind Zero, Miguel Guedes, assumiu escrever segundo a grafia anterior ao Acordo Ortográfico de 1990.

Cada vez mais vozes se levantam, dos autores aos professores, passando por todas as classes profissionais, apelando à realização de um referendo que permita aferir junto dos portugueses pela aplicação do Acordo Ortográfico de 1990. O Ministério da #Educação já fez saber que não tenciona suspender a aplicação do acordo, alegando que o AO está em prática nas escolas e em toda a administração pública.

Entre as principais alterações previstas no novo AO estão o desaparecimento das consoantes mudas, a supressão de acentos gráficos, a supressão do hífen (em contraponto com a sua manutenção), o alfabeto que passa a ter 26 letras com a inclusão das letras K, W e Y, os nomes dos dias da semana, dos meses do ano e dos pontos cardeais e colaterais que passam a ser escritos com minúsculas e a possibilidade da dupla grafia, consoante seja um texto redigido em Portugal ou no Brasil.